A Polícia Federal cumpriu neste sábado (27) uma nova leva de ordens judiciais determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito dos processos da
A Polícia Federal cumpriu neste sábado (27) uma nova leva de ordens judiciais determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito dos processos da trama golpista. Ao todo, foram executados dez mandados de prisão domiciliar contra condenados que integraram os núcleos 2, 3 e 4 do plano que buscava manter Jair Bolsonaro (PL-RJ) no poder ao fim de 2022.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes foi tomada após a tentativa de fuga do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, preso no Paraguai quando tentava embarcar para El Salvador. O episódio acendeu o alerta no STF e levou ao endurecimento imediato das medidas para evitar novas evasões.
Medidas rígidas e monitoramento total
Os alvos passaram a cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, entrega obrigatória de passaportes, proibição de visitas sem autorização judicial, veto ao uso de redes sociais e suspensão de registros e portes de armas de fogo. As diligências ocorreram em diversos estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e o Distrito Federal, algumas delas com apoio do Exército Brasileiro.
Segundo a decisão, embora os réus ainda possam recorrer, todos já foram sentenciados nas ações penais que apuram a tentativa de ruptura institucional.
Quem são os alvos
Entre os atingidos pela nova decisão estão o ex-assessor da Presidência Filipe Martins, a delegada da Polícia Federal Marília Ferreira de Alencar e os militares Giancarlo Gomes Rodrigues, Angelo Martins Denicoli, Fabrício Moreira de Bastos, Sérgio Ricardo Cavaliere, Bernardo Romão Correa Netto e Ailton Gonçalves Moraes Barros. Todos são apontados como peças operacionais do plano golpista.
Os integrantes do núcleo 1, que inclui Jair Bolsonaro (PL-RJ), já iniciaram o cumprimento das penas impostas pelo Supremo.
Defesa reage e ataca Moraes
A defesa de Filipe Martins reagiu duramente à decisão. Em vídeo divulgado, o advogado Jeffrey Chiquini classificou a medida como “absurda” e “vingativa”, questionando a relação entre a fuga de Silvinei Vasques e a situação de seu cliente.
Segundo o defensor, Martins já estava submetido a tornozeleira eletrônica e restrição de circulação. Ainda assim, teve a prisão domiciliar decretada em pleno recesso, período de festas, sem fato novo que justificasse o endurecimento, segundo a narrativa da defesa.
Fuga de Silvinei mudou o jogo
Na sexta-feira à noite, a Polícia Nacional do Paraguai entregou Silvinei Vasques às autoridades brasileiras em Foz do Iguaçu. O ex-diretor da PRF havia percorrido mais de 1.300 quilômetros desde Santa Catarina até Assunção, utilizando carro alugado e rompendo a tornozeleira eletrônica durante o trajeto.
As investigações apontam que o plano de fuga incluiu a confecção de um passaporte paraguaio e a saída do Brasil na noite de Natal. Após a captura, Moraes decretou a prisão preventiva de Vasques, que será transferido para Brasília.
Histórico de evasões no bolsonarismo
Silvinei não é o único aliado de Bolsonaro a deixar o país após se tornar alvo do STF. Também estão fora do Brasil o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ambos vivendo nos Estados Unidos. Já a deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa na Itália.
A nova ofensiva do Supremo sinaliza tolerância zero com qualquer tentativa de fuga e reforça o cerco judicial ao entorno bolsonarista. Após a evasão de Silvinei, o STF decidiu fechar todas as saídas.


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