HomeBahia

Shows com dinheiro público concentram bilhões e levantam suspeita de cartel no país

my-portfolio

Um levantamento nacional expôs um cenário de forte concentração no uso de dinheiro público para contratação de shows no Brasil. Segundo reportagem

Jerônimo Rodrigues promove reforma no secretariado da Bahia em meio a prazos eleitorais
Bahia atropela o Galícia na Fonte Nova e dispara na liderança do Baianão – Imprensa Bahia
Comissão Mista de Orçamento deve ser instalada na segunda quinzena de abril


Um levantamento nacional expôs um cenário de forte concentração no uso de dinheiro público para contratação de shows no Brasil. Segundo reportagem do UOL, apenas 1% das empresas contratadas por prefeituras ficou com mais da metade dos recursos destinados a apresentações artísticas entre 2024 e 2025.

Os dados, obtidos a partir do Portal Nacional de Contratações Públicas, mostram que cerca de R$ 5,2 bilhões foram destinados a aproximadamente 21 mil empresas em mais de 85 mil contratos no período. Desse total, cerca de R$ 2,9 bilhões, o equivalente a 56%, ficaram concentrados em apenas 200 empresas.

Mercado concentrado e dominado por grandes escritórios

Na prática, muitas dessas empresas representam artistas específicos, o que ajuda a explicar a repetição de nomes consagrados em festas municipais, especialmente em eventos como São João e aniversários de cidades.

Entre os principais beneficiados estão grandes escritórios musicais. Empresas como a Criative Music e a LL Villas, ligadas a artistas do segmento gospel, receberam individualmente mais de R$ 50 milhões em contratos com recursos públicos.

Também aparecem na lista a Talismã, com cerca de R$ 44 milhões por 64 apresentações, e produtoras como OK Produções e NL Produções, que somam dezenas de milhões em contratos.

Um dos casos mais emblemáticos é o do cantor Wesley Safadão, que aparece vinculado a seis empresas diferentes, acumulando aproximadamente R$ 67 milhões em contratações com prefeituras e governos estaduais.

Pequenos recebem menos, grandes dominam

Apesar da concentração bilionária, a maior parte dos contratos envolve artistas de menor porte. A mediana das contratações foi de R$ 15 mil, o que significa que metade dos shows custou até esse valor.

Ainda assim, os cachês mais altos, que podem ultrapassar R$ 1 milhão por apresentação, continuam restritos a artistas com grande apelo popular, reforçando o desequilíbrio no setor.

Alerta de possível cartel

O cenário acendeu o alerta entre gestores públicos. O presidente da União dos Municípios da Bahia, Wilson Cardoso, afirmou que há indícios de concentração preocupante no mercado.

“A gente percebeu que já estava tendo até um certo cartel, com três ou quatro escritórios”, declarou.

A preocupação levou à criação da iniciativa “São João sem Milhão”, desenvolvida em parceria com o Ministério Público da Bahia, com o objetivo de conter a escalada dos cachês e trazer mais transparência às contratações.

Pressão por controle e transparência

O volume de recursos e a concentração em poucos grupos colocam pressão sobre órgãos de controle e ampliam o debate sobre o uso de verba pública em eventos festivos.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que o modelo atual favorece grandes estruturas empresariais, enquanto limita a concorrência e levanta dúvidas sobre a eficiência e a equidade na aplicação dos recursos públicos.

A revelação reforça um tema sensível em ano eleitoral: o uso político de eventos financiados com dinheiro público, agora sob suspeita de beneficiar poucos, enquanto custa bilhões aos cofres municipais.





Fonte: Clique aqui

COMMENTS

WORDPRESS: 0
DISQUS: