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quem é Miguel Vázquez, o dono do Ueno Bank no Paraguai

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O empresário paraguaio Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, passou em poucos anos de herdeiro de uma empresa familiar a um dos nomes mai

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O empresário paraguaio Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, passou em poucos anos de herdeiro de uma empresa familiar a um dos nomes mais conhecidos do setor financeiro do Paraguai. Presidente do Grupo Vázquez e um dos principais controladores do Ueno Bank, ele construiu um conglomerado com negócios em diferentes áreas, mas acabou preso após a intervenção do Banco Central na instituição financeira.

Vázquez assumiu a Credicentro, empresa de crédito fundada por seu pai, e conduziu sua transformação no Ueno Bank, em 2023. A instituição cresceu rapidamente, alcançou cerca de 3 milhões de clientes e se tornou uma das maiores do país. O empresário também tinha planos de criar o primeiro unicórnio paraguaio, expressão usada para empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, e levar um negócio nacional à Bolsa de Valores de Nova York.

A expansão atraiu investidores internacionais. Em junho de 2026, a entrada do banco húngaro OTP Bank, com participação de 10% na holding controladora, atribuiu ao grupo uma avaliação de aproximadamente US$ 470 milhões. A participação de Vázquez chegou a ser estimada em até US$ 375 milhões.

Império empresarial e estilo de vida luxuoso

Além do banco, Vázquez comandava o Grupo Vázquez, conglomerado com atividades em setores como pecuária, comércio eletrônico, tecnologia e serviços financeiros. Segundo dados do relatório anual da empresa, o grupo empregava cerca de 6 mil pessoas e registrou receitas superiores a US$ 100 milhões em 2025.

A imagem pública do empresário também chamava atenção. Adepto de provas de triatlo, incluindo competições de Ironman, e apaixonado por carros esportivos, ele cultivava um estilo associado ao universo das grandes empresas de tecnologia. A sede do Ueno, em Assunção, era conhecida como “The Matrix” e tinha uma estrutura inspirada nos escritórios de companhias do Vale do Silício.

Nesta sexta-feira (6), autoridades paraguaias apreenderam um iate de luxo, uma aeronave particular e veículos esportivos ligados ao empresário. Segundo o jornal ABC Color, os carros encontrados em sua residência foram avaliados em aproximadamente US$ 14 milhões. As apreensões fazem parte das investigações sobre a crise do banco.

Relações políticas ampliaram a repercussão do caso

O crescimento do Ueno também passou a ser questionado por causa de suas relações com o poder público. O presidente paraguaio Santiago Peña havia sido acionista de uma empresa ligada ao grupo de Vázquez até 2025. Durante seu governo, os depósitos de órgãos públicos na instituição financeira aumentaram significativamente, ultrapassando US$ 800 milhões, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.

A crise ganhou dimensão política depois que o Banco Central do Paraguai determinou, em 2 de novembro, o início do procedimento de resolução do Ueno Bank. A decisão foi tomada após a identificação de uma insuficiência no índice de solvência da instituição, que ficou abaixo da metade do mínimo exigido pela regulamentação.

A investigação também apura operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao grupo controlador. O caso provocou protestos, bloqueio de recursos de clientes e uma crise no governo. Peña anunciou sua renúncia diante da pressão política, mas a decisão não foi formalizada pelo Congresso, enquanto o processo de impeachment avançou no Legislativo.

Prisão preventiva e investigação criminal

Vázquez se apresentou à Polícia Nacional em 3 de novembro, acompanhado de advogados, após a emissão de uma ordem de detenção. Dois dias depois, a Justiça determinou sua prisão preventiva, medida que também alcançou outros ex-dirigentes da instituição. Nesta sexta-feira, ele foi transferido para o Centro Nacional de Prevenidos, na antiga penitenciária de Tacumbú, em Assunção.

O empresário é investigado por suspeitas de lesão de confiança, tentativa de fraude e outras irregularidades relacionadas à gestão do banco. A apuração envolve 27 pessoas, segundo o jornal paraguaio ABC Color. As acusações ainda serão examinadas pela Justiça e não representam uma condenação definitiva.

A queda do Ueno Bank interrompeu a trajetória de expansão de um grupo que chegou a reunir 28 participações empresariais. O caso também deixou milhões de clientes preocupados com o acesso aos próprios recursos e abriu uma crise que ultrapassou o sistema financeiro, atingindo diretamente o cenário político do Paraguai.





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