A Polícia Federal levantou a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ser o beneficiário final ou o propri
A Polícia Federal levantou a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ser o beneficiário final ou o proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A informação foi divulgada pela revista Piauí e repercutida nesta sexta-feira (11).
Segundo o relatório policial citado pela publicação, parte dos ativos do fundo acabou transferida para a Egide I Holding, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido por oferecer estruturas societárias com elevado grau de sigilo. A operação teria ocorrido ao longo de 2025.
A investigação chama atenção para a relação do Arleen com o Tayayá Resort, em Ribeirão Claro, no Paraná, empreendimento que teve participação de empresas ligadas a Toffoli e seus familiares. Documentos já divulgados anteriormente mostram que o fundo manteve participação no resort entre 2021 e 2025.
PF aponta possível beneficiário final
De acordo com a Piauí, a PF registrou no relatório que foram identificados elementos que, analisados conjuntamente, apontariam para a possibilidade de Toffoli ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos.
A estrutura financeira passou por mudanças em 2025. Conforme a apuração, o empresário Alberto Leite, descrito como amigo do ministro, adquiriu o Arleen em fevereiro daquele ano. No mês seguinte, foi criada a Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e o regulamento do fundo foi alterado para permitir investimentos no exterior.
Posteriormente, o Arleen teria transferido aproximadamente R$ 34 milhões para a estrutura no exterior. A Folha já havia revelado que, no encerramento do fundo, ativos avaliados em cerca de R$ 34 milhões foram destinados à Egide I.
Relação com o Banco Master
As suspeitas também envolvem movimentações financeiras relacionadas ao Tayayá. Reportagens anteriores apontaram que recursos ligados à estrutura financeira de Vorcaro chegaram ao Arleen, que posteriormente manteve participação no empreendimento.
A Folha informou, em fevereiro, que mensagens obtidas pela PF indicavam repasses que totalizaram R$ 35 milhões relacionados ao resort.
O caso ganhou novo peso com a divulgação do relatório policial, que também analisa possíveis relações entre Vorcaro e decisões judiciais de interesse do Banco Master.
PF questiona mudança de voto de Toffoli
Outro ponto mencionado pela investigação envolve o julgamento de uma ação relacionada à empresa Alcídia, do grupo Atvos, sobre precatórios do setor sucroalcooleiro.
Segundo a Piauí, investigadores analisaram mensagens trocadas entre Vorcaro e o então diretor jurídico do Banco Master, André Kruschewsky. Nas conversas, aparece a afirmação de que “Toffoli virou o voto”, seguida de discussões sobre a possibilidade de atuação para acompanhar ou tentar adiar o julgamento.
A PF considerou que as mensagens merecem atenção porque ocorreram próximas ao julgamento. O relatório, entretanto, ressalva que os elementos ainda exigiam aprofundamento e não seriam suficientes, naquele momento, para conclusões definitivas.
No julgamento posterior, a tese favorável à usina prevaleceu, em decisão que beneficiou a posição defendida pelo banco no caso.
Toffoli contesta suspeitas
À revista Piauí, a equipe do ministro afirmou que o relatório mencionado foi arquivado e que os dez ministros do STF tiveram conhecimento do conteúdo da investigação e das informações apresentadas por Toffoli.
A defesa sustenta ainda que não houve declaração de suspeição e cita decisões anteriores do próprio Supremo relacionadas ao caso.
A reportagem da revista, porém, afirma haver diferença entre o arquivamento da arguição de suspeição e o destino do relatório produzido pela PF. Segundo a publicação, o documento e a investigação que o originaram permaneceram sob posse da Polícia Federal.
O caso acrescenta mais um capítulo à crise envolvendo o Banco Master e amplia as dúvidas sobre as relações financeiras e institucionais investigadas pela PF. As suspeitas contra Toffoli permanecem no campo da investigação e, conforme o próprio relatório policial, dependem de aprofundamento antes de qualquer conclusão definitiva.


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