O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, rebateu nesta quinta-feira (30) as acusações de que sua bancada teria atuado contra a indicação de Jorge M
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, rebateu nesta quinta-feira (30) as acusações de que sua bancada teria atuado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentar transferir responsabilidades pela derrota no plenário.
Em nota oficial, o senador classificou como “intriga” e “maledicência” as versões que atribuem ao MDB participação no revés e afirmou que o Planalto busca um “bode expiatório” diante do resultado negativo. Segundo ele, a leitura política que responsabiliza o partido representa um erro de articulação.
Braga destacou que manteve diálogo contínuo com os integrantes da bancada e garantiu que as sinalizações internas eram favoráveis à aprovação do nome indicado ao STF. O parlamentar também fez críticas à condução política do governo após a votação, afirmando que acusações vindas de interlocutores do próprio Executivo ultrapassam limites razoáveis.
Apesar do episódio, o líder reforçou que o MDB segue comprometido com a base aliada e com a estabilidade institucional, mas fez um alerta sobre a necessidade de reciprocidade nas relações políticas. Segundo ele, a manutenção da unidade depende de lealdade entre os atores envolvidos.
A reação ocorre após a derrota do governo no Senado, que rejeitou a indicação de Messias em votação secreta. Nos bastidores, integrantes do Planalto passaram a apontar uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com apoio de partidos do centro, incluindo MDB e PP.
De acordo com relatos de parlamentares, o movimento contrário à indicação ganhou força nos dias que antecederam a votação e se intensificou após a divulgação de um encontro reservado entre Alcolumbre e Messias. A reunião, interpretada como sinal de alinhamento, teria gerado desconforto e impulsionado a articulação política no Senado.
No dia da sabatina, a mobilização contrária avançou com conversas reservadas e contatos diretos com senadores ao longo da sessão. O governo ainda tentou reagir, buscando diálogo com Alcolumbre, mas não conseguiu conter o avanço da articulação.
Entre aliados, a avaliação é de que a derrota expôs fragilidades na estratégia política do Planalto, especialmente pela falta de uma margem segura de votos. A contagem inicial indicava aprovação, mas o cenário mudou rapidamente nas horas finais, consolidando o revés.
O episódio amplia a tensão entre governo e Congresso e reforça a necessidade de reavaliação da articulação política em um momento considerado decisivo para a agenda do Executivo.


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