A caminhada iniciada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), saindo de Minas Gerais em direção a Brasília, ganhou contornos de espetáculo p
A caminhada iniciada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), saindo de Minas Gerais em direção a Brasília, ganhou contornos de espetáculo político e passou a ser comparada, por aliados e críticos, a uma cena do filme Forrest Gump, quando o personagem começa a correr sem rumo e acaba seguido por milhares de pessoas. O movimento, que começou de forma simbólica, cresceu rapidamente, atraiu dezenas de parlamentares e inflamou o ambiente político, a ponto de provocar reação direta do PT.
O ato, batizado de “caminhada pela liberdade”, tem como bandeira a defesa da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos presos pelos atos de 8 de janeiro. O trajeto começou em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, a cerca de 240 quilômetros da capital federal, com previsão de chegada a Brasília neste domingo (25).
Multidão cresce e adesões se multiplicam
Assim como no enredo do filme, em que a corrida aparentemente solitária vira um movimento de massa, a iniciativa de Nikolas deixou de ser individual e passou a reunir uma legião de apoiadores ao longo da BR-040. Parlamentares federais, estaduais, vereadores, líderes religiosos e influenciadores digitais se somaram ao percurso, ampliando a visibilidade do ato.
Entre os deputados federais que aderiram estão Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE), Carlos Jordy (PL-RJ), Zucco (PL-RS), Filipe Barros (PL-PR), Sargento Fahur (PSD-PR) e Luiz Lima (Novo-RJ). O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também participa.
No Senado, chamam atenção as presenças de Magno Malta (PL-ES), que participa mesmo recém-operado e com dificuldades de locomoção, e de Marcio Bittar (PL-AC). O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) também aderiu e agradeceu publicamente o apoio ao que chamou de gesto de solidariedade com os condenados do 8 de janeiro.
Discurso político e apelo simbólico
Nikolas afirma que a decisão de caminhar até Brasília surgiu como um gesto de fé e protesto político. Segundo ele, o objetivo é “trazer luz” ao que considera injustiças cometidas contra manifestantes e contra o ex-presidente.
O PL, partido do deputado, divulgou nota de apoio ao ato, exaltando coragem, determinação e defesa da liberdade, em uma mensagem que reforça o caráter político da mobilização.
Reação do PT e tentativa de barrar o ato
O crescimento da caminhada, no entanto, incomodou o PT. O líder da legenda na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), ao lado do deputado Rogério Correia (PT-MG), acionou a Polícia Rodoviária Federal e protocolou pedido de providências para interromper o ato.
Os petistas alegam que a mobilização ocorre em rodovia federal de tráfego intenso, com uso do acostamento e, em alguns trechos, da pista de rolamento, o que representaria risco à segurança viária. Eles também citam o uso de aeronaves acompanhando o grupo, com pousos próximos à estrada, classificando a situação como grave e irresponsável.
Para Lindbergh, a manifestação não pode colocar vidas em risco. Ele afirma que o direito de protestar não autoriza ações sem comunicação prévia às autoridades e sem medidas de segurança adequadas.
PRF aponta riscos e equipe reage
A Polícia Rodoviária Federal informou que a caminhada gera “riscos extraordinários” ao trânsito na BR-040 e destacou a ausência de comunicação prévia que permitisse planejamento operacional. A corporação disse monitorar o deslocamento por questões de segurança viária.
A assessoria de Nikolas rebateu, afirmando que ofícios foram encaminhados à PRF e à ANTT no próprio dia de início da caminhada, ressaltando que, no primeiro momento, o número de participantes era reduzido.
Enquanto a marcha avança e a polêmica cresce, a imagem do deputado caminhando pela estrada, seguido por uma multidão cada vez maior, consolida-se como um dos episódios mais simbólicos do atual embate político entre bolsonaristas e o PT.


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