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Voto “Tarula” fortalece Tarcísio em SP e reduz dependência de apoio bolsonarista, aponta Quaest

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), conseguiu ampliar sua capacidade de atração eleitoral para além do campo bolsonarist

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), conseguiu ampliar sua capacidade de atração eleitoral para além do campo bolsonarista e passou a conquistar uma parcela do eleitorado que declara apoio ao presidente Lula da Silva (PT). O movimento, chamado de voto “Tarula”, aparece na nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (25).

O levantamento, contratado pela Globo, mostra Tarcísio na liderança da corrida pelo Governo de São Paulo, com 40% das intenções de voto no primeiro turno. Fernando Haddad (PT) aparece em segundo lugar, com 27%. Na pesquisa anterior, divulgada em julho, os dois tinham 41% e 26%, respectivamente.

A pesquisa ouviu 1.800 eleitores presencialmente entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-06946/2026.

Tarcísio avança entre eleitores de esquerda

Um dos principais pontos do levantamento é a capacidade do governador de conquistar votos fora de seu campo político tradicional.

Segundo a análise apresentada pela Quaest, 11% dos eleitores que se identificam como lulistas afirmam votar em Tarcísio em um eventual confronto direto com Haddad. O governador também alcança 11% entre eleitores que se consideram de esquerda, mas não se identificam como lulistas.

Esse grupo representa aproximadamente um quarto do eleitorado paulista, segundo os dados citados na análise.

O movimento ajuda a explicar por que Tarcísio mantém vantagem mesmo em um estado onde Lula possui uma base eleitoral relevante.

“O Tarcísio consegue morder um pedaço do eleitorado da esquerda e do lulismo, coisa que o Haddad não consegue fazer na direita”, afirmou Felipe Nunes, CEO da Quaest, durante a divulgação dos resultados.

Haddad encontra mais resistência 

O fluxo de votos ocorre de maneira menos favorável a Haddad entre os eleitores identificados com a direita.

De acordo com os dados apresentados, apenas 2% dos bolsonaristas declararam intenção de votar no petista. Entre os eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas, Haddad alcança 4%.

O cenário é diferente entre os eleitores independentes, que representam quase metade do eleitorado paulista. Nesse grupo, Tarcísio registra 27%, contra 24% de Haddad.

A diferença é considerada relevante para a estratégia das duas campanhas, já que o eleitor independente pode decidir a eleição em um cenário no qual os candidatos buscam ultrapassar suas respectivas bases ideológicas.

Tarcísio se distancia da dependência de Bolsonaro

A capacidade de Tarcísio de conquistar votos entre eleitores que não se identificam com o bolsonarismo também pode reduzir sua dependência política da família Bolsonaro.

O governador foi eleito em 2022 com forte apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas sua campanha atual busca preservar a liderança entre setores mais amplos do eleitorado paulista.

Um dos sinais dessa estratégia está na comunicação visual da campanha, que passou a utilizar mais a cor azul e menos os elementos tradicionalmente associados às manifestações bolsonaristas.

Ao mesmo tempo, Tarcísio mantém apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Em declaração recente, o governador afirmou que sua campanha está concentrada no eleitor paulista, mas confirmou que acompanhará a trajetória do senador na disputa nacional.

Flávio enfrenta desafio em São Paulo

Enquanto Tarcísio consegue avançar sobre setores do eleitorado de esquerda, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades maiores para consolidar a direita paulista.

Na pesquisa presidencial realizada pela Quaest no estado, Flávio aparece com 30%, contra 29% de Lula, em empate técnico. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A comparação mostra uma situação politicamente relevante. Tarcísio possui uma vantagem de 13 pontos sobre Haddad na corrida estadual, enquanto a disputa presidencial entre Lula e Flávio aparece praticamente empatada em São Paulo.

O cenário aumenta a importância do governador para a estratégia eleitoral da direita no maior colégio eleitoral do país.

Na disputa presidencial, Lula apresenta uma capacidade maior de manter seus próprios eleitores. Segundo a análise da Quaest, o presidente alcança 90% das intenções de voto entre os lulistas e 78% entre os eleitores que se identificam com a esquerda.

Flávio, por sua vez, registra 80% entre os bolsonaristas e 59% entre eleitores de direita que não adotam o rótulo de bolsonaristas.

Entre os independentes, Lula também aparece em vantagem, com 20%, contra 10% de Flávio.

Os números indicam que a eleição paulista possui dinâmicas diferentes nas disputas estadual e presidencial. Enquanto Tarcísio consegue ampliar seu eleitorado para além da direita, Lula mantém maior capacidade de retenção entre seus apoiadores.

Eleitor pragmático pode definir eleição

Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o fenômeno pode ser explicado pela existência de um eleitor mais pragmático, que considera resultados administrativos e entregas de governo antes de seguir alinhamentos ideológicos.

Essa característica ajuda a compreender por que parte dos eleitores lulistas pode escolher Tarcísio para governador, mesmo mantendo Lula como preferência para presidente.

O movimento também representa um desafio para Haddad, que precisa fortalecer sua identificação com Lula e, ao mesmo tempo, atacar pontos considerados negativos da administração estadual.

Haddad mira serviços públicos e segurança

A campanha petista pretende explorar problemas relacionados ao transporte público, à Sabesp e à educação, além de críticas à política de segurança pública.

Haddad também tem usado a campanha para questionar a privatização da Sabesp e defender mudanças na gestão de serviços públicos. Em sabatina recente, o candidato afirmou que pretende revisar contratos e realizar um pente-fino em acordos firmados durante a atual administração.

O desafio é transformar essas críticas em crescimento nas pesquisas antes que Tarcísio consolide uma vantagem suficiente para vencer ainda no primeiro turno.

Além da liderança na primeira rodada, o governador também aparece à frente em uma eventual segunda etapa, com 47% contra 30% de Haddad, segundo a mesma pesquisa.

Disputa pelo Senado também está apertada

A pesquisa Quaest também mediu a corrida pelas duas vagas de São Paulo no Senado. Guilherme Derrite e Marina Silva aparecem com 12% cada, enquanto Simone Tebet registra 11%, configurando empate técnico entre os três principais nomes.

O resultado reforça que, apesar da vantagem de Tarcísio na disputa pelo governo estadual, a eleição paulista apresenta cenários diferentes para cada cargo.

Com a campanha avançando e o horário eleitoral começando nesta sexta-feira (28), o principal desafio de Tarcísio será manter a vantagem entre independentes e ampliar sua capacidade de diálogo com eleitores de centro e esquerda. Para Haddad, a missão será reduzir o desconhecimento sobre sua candidatura e transformar a força de Lula em votos para a disputa estadual.

O fenômeno “Tarula” surge como um dos elementos da eleição em São Paulo, ao mostrar que parte do eleitorado pode separar a escolha para presidente da decisão sobre quem deve comandar o estado.





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