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Uma viagem realizada por integrantes do alto escalão do governo federal colocou sob atenção o uso de aeronaves privadas por autoridades públicas. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), e os ministros Rui Costa (PT) e Sidônio Palmeira utilizaram um jatinho particular para deslocamento entre Brasília e Salvador, em junho de 2025.
A aeronave está registrada em nome da empresa DH Agropecuária Ltda, pertencente a Ana Paula Dupuy Hermes e Diego Dupuy Hermes, filhos do empresário Nestor Hermes. Segundo o Ministério Público da Bahia, ele é apontado como figura central em um suposto esquema de grilagem de terras no oeste baiano.
De acordo com dados da concessionária Inframérica, responsável pela administração do aeroporto de Brasília, o voo ocorreu na noite de 18 de junho de 2025. Além dos políticos, também estavam a bordo Marcelo Emerenciano, assessor da Casa Civil e ex-prefeito de Cocos, e Tiago Cesar dos Santos, secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social.
As investigações do Ministério Público da Bahia indicam que Nestor Hermes seria ligado a uma organização criminosa voltada à apropriação irregular de terras na região de Cocos, na divisa com Goiás. Relatórios apontam ainda o uso de violência contra posseiros, incluindo atuação de milícias armadas. O empresário também acumula autuações ambientais que ultrapassam R$ 1 milhão, aplicadas pelo Ibama, por desmatamento e extração ilegal de minérios.
A revelação foi publicada pela colunista Natália Portinari, do portal UOL.
Em resposta, Sidônio Palmeira afirmou que recorreu à aeronave após perder um voo comercial e disse não conhecer a identidade dos proprietários. Jaques Wagner confirmou a viagem, mas declarou não ter conhecimento de fatos que comprometam a conduta do empresário. Rui Costa não quis se manifestar.
A defesa de Nestor Hermes nega as acusações e sustenta que o empresário e seus filhos não são réus em ações penais, classificando as denúncias como infundadas.


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