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Tratamento contínuo com tirzepatida pode reduzir custos de saúde em idosos com obesidade

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Envelhecer com obesidade representa um impacto significativo não apenas para a saúde, mas também para os sistemas de assistência médica. Um novo es

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Envelhecer com obesidade representa um impacto significativo não apenas para a saúde, mas também para os sistemas de assistência médica. Um novo estudo sugere, porém, que o tratamento contínuo com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, pode reduzir parte desses custos entre adultos mais velhos com obesidade ou sobrepeso associado a problemas de saúde.

A pesquisa, publicada na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism, analisou dados de 15.843 pessoas com mais de 55 anos, com idade média de 64,5 anos, que começaram a utilizar tirzepatida entre novembro de 2023 e setembro de 2025. Os pesquisadores compararam esses pacientes com pessoas de perfil clínico e demográfico semelhante que não iniciaram medicamentos da mesma classe.

Os resultados apontaram uma redução dos custos de saúde entre aqueles que permaneceram em tratamento, especialmente pela menor utilização de serviços hospitalares e de emergência. O estudo, entretanto, não permite afirmar sozinho que a tirzepatida seja a causa direta da redução, já que se trata de uma análise retrospectiva de dados já registrados.

Economia de 25% 

Na análise considerada principal pelos pesquisadores, a redução dos custos de saúde foi de 12% após seis meses, equivalente a aproximadamente US$ 145 por paciente ao mês.

Após 12 meses, a economia chegou a 25%, ou cerca de US$ 319 mensais por paciente.

Uma segunda metodologia utilizada pelos pesquisadores apresentou números ainda maiores, com redução de 15%, equivalente a US$ 181 mensais, aos seis meses, e de 38%, aproximadamente US$ 607 mensais, aos 12 meses.

Os autores, porém, consideram a primeira abordagem estatisticamente mais robusta. Por isso, os números mais elevados, divulgados também em materiais relacionados ao estudo, precisam ser interpretados com cautela.

Menos internações e atendimentos de emergência

Ao longo do acompanhamento, os pacientes tratados com tirzepatida apresentaram taxas menores de internação hospitalar e de visitas a serviços de emergência, além de maior utilização de consultas ambulatoriais de rotina.

Esse padrão pode indicar maior acompanhamento preventivo e continuidade do cuidado médico. Entretanto, a redução de internações e atendimentos de emergência não alcançou significância estatística na análise secundária, o que reforça a necessidade de cautela na interpretação dos resultados.

Outro ponto importante é que os pesquisadores não incluíram o custo da própria tirzepatida no cálculo. Os dados utilizados vieram de registros de seguros de saúde, que não necessariamente refletem o preço líquido efetivamente pago pelo medicamento, devido a descontos, negociações e diferentes modelos de cobertura.

Portanto, a chamada economia representa a redução de gastos em outros serviços de saúde, e não necessariamente o resultado financeiro líquido do tratamento completo.

Programa nos Estados Unidos 

Nos Estados Unidos, a discussão ganhou uma dimensão adicional com o Medicare GLP-1 Bridge, programa que passou a permitir, a partir de julho de 2026, acesso de determinados beneficiários do Medicare Part D a medicamentos para controle crônico do peso.

Atualmente, o programa prevê que pacientes elegíveis possam ter acesso ao Zepbound, também à base de tirzepatida, por até US$ 50 mensais, desde que atendam aos critérios clínicos e de cobertura estabelecidos.

Isso é diferente do cenário brasileiro e também significa que os cálculos de custo-benefício precisam considerar qual preço efetivamente é pago pelo sistema de saúde ou pelo paciente.

Brasil 

No Brasil, a Anvisa aprovou em junho de 2025 uma nova indicação do Mounjaro para o controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção de peso em adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m² ou com IMC igual ou superior a 27 kg/m² associado a pelo menos uma condição relacionada ao peso. Entre as condições estão hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes e diabetes tipo 2.

A Agência também determinou que medicamentos agonistas de GLP-1, incluindo Mounjaro, Ozempic e Wegovy, sejam vendidos mediante retenção da receita nas farmácias.

A realidade brasileira, contudo, é diferente da americana. O estudo foi baseado em dados do sistema de saúde dos Estados Unidos, e seus resultados não podem ser aplicados diretamente ao SUS ou ao mercado brasileiro.

Além disso, a incorporação de medicamentos ao SUS depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec, e posterior decisão do Ministério da Saúde.

Obesidade representa custo 

O estudo reforça uma discussão que ultrapassa o preço de um medicamento, a relação entre o investimento no tratamento da obesidade e os custos provocados pelas complicações da doença ao longo do tempo.

A obesidade é uma condição crônica associada a diferentes problemas de saúde e pode aumentar a necessidade de acompanhamento médico, medicamentos, internações e atendimentos de emergência. A própria Anvisa reconhece a obesidade como uma doença complexa e multifatorial, relacionada a diversos fatores biológicos, sociais e ambientais.

Por isso, uma análise brasileira de custo-efetividade poderia ajudar a responder uma questão central para gestores públicos e privados, quanto custa tratar adequadamente a obesidade e quanto o sistema pode economizar ao evitar ou reduzir suas complicações?

A resposta depende de fatores como preço do medicamento, duração do tratamento, perfil dos pacientes, cobertura assistencial e impacto sobre doenças associadas. O novo estudo oferece uma evidência relevante nessa discussão, mas não encerra o debate sobre o custo-benefício da tirzepatida no Brasil.





Fonte: Clique aqui

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