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Tarifa de Trump acende alerta no Brasil, comércio com Irã chega a quase US$ 3 bilhões

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O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que irá impor tarifas de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã colocou

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O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que irá impor tarifas de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã colocou o Brasil no centro de um novo impasse geopolítico e econômico. O país persa figura hoje entre os principais parceiros comerciais brasileiros no Oriente Médio, com um fluxo que se aproxima de US$ 3 bilhões.

Em 2025, as exportações do Brasil para o Irã ultrapassaram US$ 2,9 bilhões, consolidando Teerã como o quinto maior destino das vendas nacionais na região. O volume supera, inclusive, o comércio brasileiro com países como Suíça, África do Sul e Rússia no mesmo período, o que evidencia o peso estratégico dessa relação.

À frente do Irã no ranking regional aparecem Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita. Ainda assim, o crescimento do intercâmbio com o país persa chama atenção, especialmente pelo perfil das exportações, fortemente concentradas no agronegócio.

O setor rural é o principal motor dessa balança comercial. Dos cinco produtos mais vendidos ao Irã, quatro têm origem no campo. Milho, soja, açúcar, farelo de soja para alimentação animal e petróleo lideram a pauta. Apenas o milho respondeu por mais de US$ 1,9 bilhão em compras iranianas neste ano, reforçando a dependência do país persa dos grãos brasileiros.

A relação entre os dois governos vinha sendo ampliada nos últimos anos. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. No encontro, foi acordada a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com foco em acelerar pautas de interesse comum e ampliar o intercâmbio técnico entre os países.

Durante a visita, o governo iraniano também demonstrou interesse em instalar uma empresa de navegação no Brasil, iniciativa vista como estratégica para reduzir custos logísticos e impulsionar ainda mais o comércio bilateral.

Com o anúncio das tarifas americanas, no entanto, esse movimento passa a ser observado com cautela. A decisão de Trump amplia a pressão internacional sobre o Irã e pode gerar efeitos indiretos sobre países que mantêm relações comerciais relevantes com Teerã. Procurado, o governo federal não se manifestou sobre a medida até o momento.

O cenário reforça a tensão entre interesses econômicos e alinhamentos diplomáticos, colocando o Brasil diante de um desafio sensível em sua política externa, especialmente em um contexto de instabilidade global e disputas comerciais cada vez mais agressivas.





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