HomeBahia

Projeto na AL-BA cria teto de R$ 500 mil para cachês de artistas na Bahia

my-portfolio

Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) pretende estabelecer novos limites para a contratação de artistas com recu

Delegação baiana já se encontra em João Pessoa para disputar provas dos Jogos da Juventude
Secretaria da Educação do Estado inicia Jornada Pedagógica 2026 nesta segunda-feira (2)
Com investimento do Estado, 15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar reúne mais de 600 expositores do Nordeste


Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) pretende estabelecer novos limites para a contratação de artistas com recursos públicos no estado. A proposta, de autoria do deputado estadual Luciano Ribeiro (União Brasil), fixa teto de até R$ 500 mil para cachês pagos por prefeituras e de R$ 700 mil para contratações realizadas pelo governo da Bahia, além de criar critérios de transparência e incentivar a participação de artistas locais em eventos financiados pelo poder público.

Pelo texto, os municípios poderão contratar atrações artísticas com cachês de até R$ 500 mil. No entanto, durante eventos considerados estratégicos para o turismo e a cultura baiana, como Carnaval, festejos juninos e Réveillon, o limite poderá ser ampliado em até 120%, desde que sejam atendidos critérios técnicos previstos na proposta.

Entre as condições para a ampliação do teto estão municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) igual ou superior a 0,7, receita anual acima de R$ 300 milhões e parâmetros relacionados à Receita Corrente Líquida (RCL). Segundo o autor, o objetivo é adequar os limites à realidade financeira de cada cidade.

Para as contratações realizadas diretamente pelo Governo da Bahia, a proposta estabelece teto de R$ 700 mil por apresentação. Nos períodos de Carnaval, São João e Réveillon, esse valor poderá dobrar, alcançando até R$ 1,4 milhão, em razão da relevância econômica, turística e cultural dessas festas. Nos casos em que Estado e município dividirem o financiamento de um mesmo artista, prevalecerá o teto estadual.

Projeto amplia exigências de transparência

Além dos limites financeiros, a matéria estabelece novas regras para dar mais transparência às contratações artísticas. Caso seja aprovada, órgãos estaduais e municipais deverão divulgar previamente informações como valor dos contratos, origem dos recursos, justificativa dos preços, documentos que comprovem exclusividade do artista, atos de inexigibilidade de licitação, planilhas de custos e contrapartidas oferecidas ao público.

O projeto também determina que eventos custeados integralmente com dinheiro público tenham acesso gratuito. Quando houver participação da iniciativa privada no financiamento, a cobrança de ingressos será permitida, desde que sejam oferecidas contrapartidas culturais ou sociais compatíveis com o investimento estatal.

Cultura baiana ganha prioridade

Outro ponto da proposta prevê a reserva de um percentual mínimo da programação para artistas, grupos culturais, bandas, filarmônicas, mestres e mestras da cultura popular e demais manifestações culturais da Bahia. A intenção é fortalecer a economia criativa e ampliar a circulação de recursos dentro dos próprios municípios onde ocorrem as festividades.

O texto também estabelece sanções para casos de fraude, desvio de finalidade, dolo ou reincidência, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa. Irregularidades meramente formais, desde que corrigidas e sem prejuízo ao erário, não serão passíveis de punição.

Debate sobre gastos públicos

A proposta surge em meio às discussões sobre os altos valores pagos por prefeituras na contratação de atrações nacionais para festas populares. Na justificativa, Luciano Ribeiro afirma que o projeto não pretende restringir a realização de eventos culturais nem desvalorizar artistas, mas criar mecanismos de controle dos gastos públicos, ampliar a transparência e garantir maior equilíbrio na aplicação dos recursos destinados à cultura.

Neste ano, a União dos Municípios da Bahia (UPB) já havia recomendado um teto de R$ 700 mil para cachês durante os festejos juninos, após reclamações de prefeitos sobre o aumento dos valores cobrados por artistas.

Dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, coordenado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), mostram que, em 2026, 410 municípios, além do Governo do Estado, informaram a realização de mais de 4.600 apresentações, envolvendo cerca de 2.200 artistas. Somados, os investimentos públicos ultrapassaram R$ 630 milhões, reforçando o debate sobre critérios para a utilização de recursos públicos em grandes eventos culturais.





Fonte: Clique aqui

COMMENTS

WORDPRESS: 0
DISQUS: