Um levantamento do Departamento de Inteligência Policial da Polícia Civil de São Paulo traçou um novo organograma do Primeiro Comando da Capital, o
Um levantamento do Departamento de Inteligência Policial da Polícia Civil de São Paulo traçou um novo organograma do Primeiro Comando da Capital, o PCC, revelando uma engrenagem com 12 “sintonias” formais, além de setores estratégicos que funcionam como braços operacionais e disciplinares da organização criminosa dentro e fora do Brasil.
O documento aponta que a facção conta com cerca de cem integrantes em sua cúpula ampliada, sendo 61 atualmente presos. No topo da hierarquia está a chamada Sintonia Final, núcleo máximo de decisões, liderado por Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Sintonia da Internet: comunicação e controle digital
Entre as novidades identificadas pela inteligência policial está a criação da Sintonia da Internet e Redes Sociais. O setor seria responsável por gerenciar comunicações online, coordenar contatos via aplicativos e plataformas digitais, além de fiscalizar conteúdos que possam expor a organização.
Segundo o relatório, a ala atua como núcleo técnico e de comunicação, garantindo segurança nas trocas de mensagens e preservando a unidade ideológica do grupo, inclusive entre integrantes que operam fora do estado ou do país.
Os investigadores apontam que os presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, estariam à frente desse braço digital, subordinados diretamente à Sintonia Final.
Cúpula e núcleo estratégico
A Sintonia Final reúne ainda nomes como Júlio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, e Cláudio Barbará da Silva, o Barbará. Apenas um integrante desse grupo não estaria preso: Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão.
Logo abaixo aparece a Sintonia do Sistema, responsável por garantir que as decisões da cúpula sejam cumpridas dentro do sistema prisional. Já a Sintonia Restrita atua em assuntos considerados sensíveis e confidenciais, contando inclusive com um braço tático para ações específicas.
Outro ponto destacado é a Sintonia dos Estados e Países, encarregada da expansão territorial e dos negócios da facção fora de São Paulo e no exterior, evidenciando a dimensão transnacional do grupo.
Setor Raio-X e “Quadro dos 14”
O relatório também detalha a existência do chamado Setor Raio-X, uma espécie de corregedoria interna. A função seria auditar contas, investigar comportamentos e fiscalizar integrantes. A chefia seria atribuída a Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.
Já a Sintonia dos Gravatas reúne o departamento jurídico da facção, enquanto o chamado “Quadro dos 14” funciona como instância de elite, responsável por decisões estratégicas e disciplinares, logo abaixo da cúpula máxima.
Entre os nomes listados está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso sob acusação de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes.
Finanças, tráfico e expansão
A Sintonia da Padaria aparece como o braço financeiro do PCC, cuidando da arrecadação e circulação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas. Já a Sintonia do Progresso é descrita como motor de expansão, com foco principalmente no tráfico de drogas.
Há ainda estruturas específicas como a Sintonia da Baixada Santista, ligada ao tráfico local e internacional, além das Sintonias da Rua e Interna, responsáveis pela disciplina e execução das ordens nos territórios controlados e dentro das unidades prisionais.
O relatório menciona aliados históricos do grupo e, pela primeira vez, aponta a associação de um empresário investigado por fraudes bilionárias no mercado de combustíveis. O citado nega qualquer vínculo com a facção.
Estrutura empresarial do crime
Para a inteligência policial, o organograma evidencia um modelo de gestão estruturado, com divisão de tarefas, hierarquia rígida e mecanismos de controle interno. A facção opera como uma organização empresarial do crime, com setores especializados em finanças, comunicação, disciplina, expansão territorial e suporte jurídico.
A radiografia reforça o desafio das autoridades no combate a uma estrutura que se adapta, profissionaliza e amplia sua atuação, inclusive no ambiente digital, consolidando influência dentro e fora dos presídios brasileiros.


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