A Polícia Federal aparece como a instituição mais confiável do país, segundo pesquisa AtlasIntel em parceria com o Estadão. O levantamento, divulga
A Polícia Federal aparece como a instituição mais confiável do país, segundo pesquisa AtlasIntel em parceria com o Estadão. O levantamento, divulgado nesta última sexta-feira (20), mostra que 56% dos brasileiros confiam na corporação, enquanto o Supremo Tribunal Federal registra apenas 35% de confiança e o Congresso Nacional amarga o pior índice, com apenas 9%.
O cenário reflete uma profunda crise de credibilidade nas instituições, intensificada pelo escândalo envolvendo o Banco Master, que colocou em lados opostos investigadores e ministros da mais alta Corte do país.
PF em alta, STF sob desgaste
Além de liderar em confiança, a Polícia Federal apresenta índice de rejeição menor que o de outras instituições, com 30% de desconfiança. Já o STF acumula 59% de rejeição, evidenciando o desgaste provocado por suspeitas de envolvimento de ministros em relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O Congresso Nacional surge como o mais desacreditado, com 86% de desconfiança, consolidando uma crise de representação política que se arrasta há anos.
Bastidores de tensão
Nos bastidores de Brasília, o caso Master escancarou um embate direto entre a PF e o STF. Durante a condução do processo, o ministro Dias Toffoli chegou a criticar a atuação da corporação, apontando demora em diligências.
Do outro lado, investigadores passaram a questionar decisões consideradas incomuns, como a retenção de provas no próprio Supremo e a condução atípica de etapas da apuração.
O clima azedou de vez após a PF encaminhar relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, indicando possíveis conexões entre Vorcaro e o entorno de Toffoli. A iniciativa foi vista por ministros como uma invasão de competências.
Mudança de relatoria e novos atritos
Após a crise, Toffoli deixou a relatoria do caso, que passou para o ministro André Mendonça. A mudança, no entanto, não esfriou os ânimos.
Mendonça adotou postura mais aberta à atuação da PF, mas impôs restrições ao compartilhamento interno de provas, movimento interpretado como tentativa de controlar o fluxo de informações sensíveis dentro da corporação.
O diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, também enfrenta desconfiança interna por sua proximidade com o presidente Lula da Silva (PT), o que adiciona um componente político à crise.
Suspeitas ampliam desgaste
Outros episódios reforçaram a percepção negativa sobre o STF. O ministro Alexandre de Moraes passou a ser alvo de críticas após revelações de contratos milionários envolvendo familiares com o Banco Master.
Para especialistas, a sucessão de fatos compromete a imagem de imparcialidade da Corte. O jurista Walter Maierovitch afirmou que o próprio Supremo contribuiu para o cenário atual de desconfiança.
Instituições sob pressão
A pesquisa mostra que o desgaste não é isolado. O governo federal tem 59% de desconfiança, enquanto as Forças Armadas também enfrentam rejeição elevada, com 60%.
O levantamento ouviu 2.090 brasileiros entre os dias 16 e 19 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Efeito político
O avanço da confiança na Polícia Federal e a queda do STF revelam uma inversão simbólica de papéis no imaginário popular: enquanto investigadores ganham credibilidade, o Judiciário passa a ser visto com suspeita.
Em meio a esse cenário, o caso Banco Master se consolida como um dos episódios mais sensíveis da política recente, com potencial de impactar o equilíbrio entre os Poderes e influenciar diretamente o ambiente eleitoral nos próximos anos.


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