O Partido Liberal, PL, consolidou-se como a sigla que mais cresceu na Câmara dos Deputados após o encerramento da janela partidária, nesta última s
O Partido Liberal, PL, consolidou-se como a sigla que mais cresceu na Câmara dos Deputados após o encerramento da janela partidária, nesta última sexta-feira (3). Impulsionado pela maior fatia do fundo partidário, o partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e ao senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou sua bancada e reforçou protagonismo para as eleições de 2026.
Levantamento com base em dados da Câmara dos Deputados e informações públicas aponta que ao menos 18 parlamentares migraram para o PL durante o período de 30 dias. No total, mais de 50 deputados federais trocaram de legenda, redesenhando o equilíbrio de forças no Congresso.
Na direção oposta, o Uniao Brasil registrou a maior perda de deputados, com ao menos 16 saídas. O movimento ocorre após a formação de federação com o Progressistas, PP, união que, segundo parlamentares, elevou a concorrência interna e dificultou a reeleição de parte da bancada.
Entre os nomes que deixaram o União Brasil rumo ao PL estão Dani Cunha (RJ), Coronel Assis (MT), Rosangela Moro (SP) e Rodrigo Valadares (SE).
Já o deputado Kim Kataguiri (SP) deixou a legenda, mas seguiu para uma nova sigla ligada ao Movimento Brasil Livre.
Disputa por recursos
O crescimento do PL está diretamente relacionado à sua capacidade financeira e estrutural. A legenda recebeu mais de R$ 192 milhões do fundo partidário, maior valor entre os partidos, fator que influencia diretamente na atração de candidatos.
Na sequência aparecem o Partido dos Trabalhadores, PT, do presidente Luiz Inacio Lula da Silva (PT-SP), com cerca de R$ 140 milhões, além de União Brasil, Republicanos e Partido Social Democratico, PSD.
O tamanho das bancadas define tanto a divisão desses recursos quanto o tempo de propaganda eleitoral, o que explica a movimentação intensa durante a janela.
Centrão
Lideranças do Centrão acompanharam as movimentações com cautela. O deputado Antonio Brito (PSD-BA) classificou o cenário como instável, destacando que as negociações se mantiveram até os momentos finais.
Outros partidos também registraram oscilações. O PSD teve saldo positivo discreto, o Podemos ampliou filiações, enquanto o Republicanos perdeu mais parlamentares do que ganhou.
O avanço do PL tende a ampliar a pressão sobre o governo no Congresso. Caso o presidente Lula (PT) consiga a reeleição, poderá enfrentar um ambiente mais desafiador a partir de 2027, com maior resistência para aprovar projetos.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou recentemente que a meta é ultrapassar 100 deputados federais, consolidando a maior bancada da Câmara.
Regras eleitorais
A janela partidária, que ocorreu entre março e abril, é o período em que deputados podem mudar de partido sem risco de perder o mandato, conforme regras da Justiça Eleitoral. Fora desse intervalo, a troca só é permitida em situações específicas, como mudança no programa partidário ou autorização da legenda.
Os números oficiais das bancadas ainda serão consolidados pela Câmara dos Deputados, mas o cenário já indica uma reconfiguração relevante no Congresso, com impacto direto nas eleições e na correlação de forças políticas no Brasil.


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