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Metade dos candidatos a governador disputa essa eleição sem alianças

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As eleições desse ano apresentam uma mudança significativa na estratégia dos partidos para as disputas pelos governos estaduais. Levantamento reali

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As eleições desse ano apresentam uma mudança significativa na estratégia dos partidos para as disputas pelos governos estaduais. Levantamento realizado pelo UOL aponta que 100 das 198 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foram lançadas sem coligação com outras legendas, o equivalente a 50,5% do total.

O número representa crescimento em relação às eleições de 2022, quando 87 das 224 candidaturas ao governo eram independentes, correspondendo a 39% dos concorrentes. Ao mesmo tempo, a quantidade total de candidatos diminuiu, passando de 224 para 198.

A formação de alianças tem impacto direto na campanha eleitoral, principalmente na distribuição do tempo de propaganda no rádio e na televisão. Partidos que integram uma mesma coligação majoritária somam suas participações para efeito de propaganda, o que pode proporcionar mais exposição aos candidatos.

Outro fator envolve o acesso aos recursos partidários e a estrutura eleitoral. A chamada cláusula de desempenho, que considera resultados obtidos pelos partidos e sua representação parlamentar, tornou as alianças estaduais mais estratégicas e também incentivou algumas siglas a preservar candidaturas próprias.

Estratégia partidária muda nos estados

Para o advogado especialista em direito eleitoral Fernando Neisser, o fortalecimento das candidaturas próprias está relacionado às mudanças nas regras eleitorais e à importância da bancada federal para partidos que buscam ampliar sua estrutura.

Nesse cenário, algumas legendas preferem lançar candidatos ao governo mesmo quando possuem alianças com os mesmos partidos em outras unidades da Federação. A estratégia permite preservar espaço político local e, em eventual segundo turno, negociar apoio com maior liberdade.

As emendas parlamentares impositivas também entram nessa equação. Na avaliação do especialista, a necessidade de construir maioria nos Legislativos pode estimular aproximações entre partidos depois das eleições, mesmo entre siglas que não estiveram juntas durante a campanha.

Minas Gerais concentra disputa fragmentada

Minas Gerais é um dos principais exemplos da fragmentação das alianças em 2026. O segundo maior colégio eleitoral do país reúne candidatos de diferentes partidos, incluindo Flávio Roscoe (PL-MG), Patrus Ananias (PT), Mateus Simões (PSD-MG), Gabriel Azevedo (MDB-MG), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Alexandre Kalil (PDT-MG).

O cenário também mostra como alianças nacionais podem não se repetir nos estados. O PL lançou Roscoe em chapa própria, enquanto Cleitinho, que conta com apoio de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, concorre pelo Republicanos.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostrou Cleitinho na liderança da corrida pelo governo mineiro, com 29%, seguido por Patrus Ananias, com 11%, e Alexandre Kalil, com 10%. Mateus Simões apareceu com 7%, Gabriel Azevedo com 5% e Flávio Roscoe com 3%.

Alianças nacionais não se repetem necessariamente

A eleição presidencial também evidencia a fragmentação das alianças. Dos 13 candidatos à Presidência registrados, apenas Lula participa de uma coligação, enquanto os demais disputam com chapas consideradas puras, com candidatos a vice da mesma legenda.

Partidos como MDB, União Brasil, Progressistas, Republicanos, Podemos e a federação PSDB/Cidadania adotaram posição de neutralidade na corrida presidencial, embora tenham estabelecido diferentes acordos nas disputas estaduais.

O resultado é um mapa eleitoral em que partidos podem ser aliados em um estado e adversários em outro, dependendo dos interesses locais e das possibilidades de crescimento de cada candidatura.

Novo amplia alianças com o PL

O Partido Novo, que historicamente manteve uma postura mais restritiva em relação às coligações, aparece em 2026 com 13 alianças estaduais com o PL. Ao mesmo tempo, a legenda mantém candidaturas próprias em estados como Tocantins, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

A movimentação mostra que as alianças passaram a ser utilizadas de maneira mais pragmática, principalmente nas eleições para cargos majoritários.

Chapas puras ganham espaço

Além das grandes legendas, partidos menores também mantêm uma estratégia de candidaturas independentes. Missão, PCO, UP e PSTU concentram uma parcela relevante das chapas sem alianças, em uma estratégia que prioriza a identidade própria e a apresentação de seus projetos ao eleitorado.

As coligações continuam permitidas para cargos majoritários, como presidente, governador, senador e prefeito. Diferentemente das antigas coligações proporcionais, elas não se aplicam às eleições para deputados.

O crescimento das chapas sem alianças revela, portanto, uma eleição marcada por maior autonomia partidária nos estados. Em vez de reproduzir automaticamente os acordos nacionais, as legendas passaram a montar estratégias específicas para cada disputa, preservando espaço para negociações durante e depois do processo eleitoral.





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