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Metadados indicam edição de Moraes em contrato de R$ 131 milhões com Banco Master

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O contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministr

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O contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, ganhou um novo elemento nas investigações do caso. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, metadados do arquivo apontam que uma versão do documento foi aberta e modificada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

A informação é relevante porque Viviane confirmou que o marido foi consultado antes da assinatura do acordo. Segundo nota divulgada pelo escritório, a consulta ocorreu por meio da área de compliance, com o objetivo de verificar eventual impedimento legal para a contratação.

O escritório sustenta que o contrato somente foi assinado depois de concluída a análise sobre possíveis conflitos e afirma que não havia previsão de atuação perante o Supremo Tribunal Federal em processos envolvendo o Banco Master.

Contrato previa R$ 3,6 milhões por mês

O acordo, revelado anteriormente pela coluna de Malu Gaspar, do Globo, previa remuneração de R$ 3,6 milhões mensais durante 36 meses, o que resultaria em aproximadamente R$ 131 milhões ao longo do período.

O documento estabelecia uma atuação jurídica ampla para o banco, incluindo consultoria, análise de documentos e acompanhamento de questões jurídicas.

Segundo o escritório de Viviane, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 foram produzidos 36 pareceres e realizadas 94 reuniões de trabalho com representantes do Banco Master.

Um dos casos em que o escritório atuou foi uma queixa-crime apresentada por Vorcaro e pelo banco contra o investidor Vladimir Timerman, relacionado a uma disputa envolvendo a Gafisa.

Arquivo teria sido alterado após envio a Vorcaro

De acordo com a reportagem do Estadão, os investigadores analisaram o arquivo encontrado no celular de Daniel Vorcaro. Nos metadados, informações que registram alterações realizadas em um documento, consta uma edição atribuída ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes”.

A alteração teria ocorrido em 15 de janeiro de 2024, às 23h04, aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro ter recebido o documento.

A versão do contrato posteriormente encaminhada pelo banqueiro ao escritório teria sido objeto de novas tratativas. Em mensagens analisadas pela Polícia Federal, Viviane enviou uma minuta a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024.

A existência da edição atribuída ao perfil do ministro não estabelece, por si só, qual foi a natureza da alteração ou quem efetivamente operou o dispositivo associado ao perfil. O dado está sendo analisado no contexto da investigação.

Escritório afirma que Moraes foi consultado

Em manifestação sobre o episódio, Viviane afirmou que consultou Moraes para verificar eventuais impedimentos legais relacionados à contratação.

A defesa sustenta que não havia impedimento porque o ministro não julgava naquele momento qualquer processo envolvendo o Banco Master e porque o contrato não previa atuação perante o STF.

O escritório também afirma que os serviços previstos foram efetivamente prestados durante o período de vigência do acordo.

Mensagens de Vorcaro ampliam pressão sobre Moraes

O episódio do contrato ocorre paralelamente à descoberta de mensagens de Daniel Vorcaro enviadas a Alexandre de Moraes. Segundo relatório da Polícia Federal, o banqueiro teria pedido ajuda para tentar evitar medidas contra o Banco Master e mencionado a atuação de autoridades da PF e da PGR.

Em uma das mensagens, Vorcaro teria pedido que Moraes tentasse sensibilizar Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para adiar uma operação.

Em outra, o banqueiro questionou se seria possível reverter a situação com “Paulo ou Andrei”. Segundo a investigação, os nomes seriam referências a Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues.

O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou que a PGR forneça informações complementares sobre essas mensagens. O pedido foi feito com prazo de cinco dias para manifestação.

Mendonça aprofunda investigação do caso Master

A solicitação de Mendonça adiciona pressão ao ambiente interno do STF. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, o ministro busca esclarecer o conteúdo das mensagens e a relação entre Vorcaro e as autoridades mencionadas.

O despacho também provocou reação na cúpula da Polícia Federal, segundo informações divulgadas nesta terça-feira. Integrantes da direção da corporação consideraram o movimento de Mendonça inadequado e avaliaram que a medida pode ampliar a crise envolvendo Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues.

Caso coloca contrato e mensagens no mesmo inquérito

A combinação entre o contrato milionário do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, os metadados que apontam para uma edição atribuída ao perfil do ministro e as mensagens de Vorcaro destinadas a Moraes aumenta a relevância do episódio dentro das investigações.

Os elementos, contudo, ainda precisam ser interpretados pela Justiça e pelos investigadores. A existência de um contrato entre o banco e o escritório da esposa do ministro não comprova, isoladamente, irregularidade ou conflito de interesses, assim como os metadados não esclarecem, por si só, quem realizou determinada alteração no arquivo.

O caso agora depende de novos esclarecimentos da PGR e da análise dos documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal. A apuração poderá definir se os diferentes episódios fazem parte de uma mesma relação de influência ou se tratam de fatos independentes dentro do complexo inquérito do Banco Master.





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