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Mansão no Lago Sul usada por Lulinha e lobista para reuniões

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Uma residência de alto padrão no Lago Sul, área nobre de Brasília, teria sido utilizada pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho

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Uma residência de alto padrão no Lago Sul, área nobre de Brasília, teria sido utilizada pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula da Silva (PT), e pela lobista Roberta Luchsinger para encontros na capital federal. Relatos de pessoas que trabalharam no imóvel e mensagens anexadas a um processo judicial descrevem uma rotina de visitas do empresário à casa.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e se somam a outras reportagens recentes sobre a relação entre Lulinha e Luchsinger, que é alvo de investigações da Polícia Federal. Reportagens anteriores também apontaram o imóvel como local onde o filho do presidente se hospedava durante passagens por Brasília.

Ex-funcionária relata frequência de Lulinha

A ex-empregada doméstica Zildeni Gomes de Souza, que trabalhou durante meses na residência, afirmou que Lulinha e Roberta frequentavam o imóvel com regularidade. Segundo o relato, o empresário aparecia pelo menos duas vezes por mês e, em determinadas ocasiões, permanecia por alguns dias.

Mensagens de áudio anexadas ao processo movido pela ex-funcionária contra Luchsinger indicam que a lobista avisava previamente sobre a chegada de Lulinha e orientava a preparação dos quartos para receber ele e eventuais acompanhantes. Áudios com conteúdo semelhante já haviam sido divulgados por outros veículos a partir dos documentos do processo.

O imóvel fica na região do Lago Sul e, segundo reportagens anteriores, era alugado pela empresária. A residência possui estrutura de alto padrão, com piscina, jardim e espaço destinado a escritório.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Lulinha afirma que ele não morava no imóvel e que frequentava a residência como amigo de Roberta Luchsinger. O advogado Marco Aurélio de Carvalho também negou que o empresário tenha participado de reuniões com empresários ou clientes da lobista.

Segundo o defensor, a relação entre os dois era de amizade e não há irregularidade no fato de Lulinha ter frequentado a residência. A defesa também sustenta que o empresário está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Em processo judicial, uma ex-funcionária chegou a se referir a Lulinha como “marido” de Roberta, mas a expressão aparece no contexto da ação e não comprova qualquer relação conjugal entre os dois. Reportagens que analisaram o documento apontaram a referência como parte do relato apresentado pela ex-empregada.

Relação com investigações da Polícia Federal

A residência passou a ganhar maior relevância diante das investigações envolvendo Luchsinger e suas relações com pessoas próximas ao governo federal. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a tráfico de influência e outros possíveis crimes, enquanto as defesas dos envolvidos negam irregularidades.

Mensagens obtidas pelos investigadores também colocaram em evidência a relação entre Lulinha, Roberta e Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal de Lula.

Segundo as informações divulgadas, Marcola teria frequentado a residência em uma das ocasiões. Também foram identificadas conversas envolvendo Luchsinger e o ex-assessor presidencial sobre negócios e documentos relacionados à venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Lobista teve dezenas de agendas em órgãos federais

O caso ganhou dimensão ainda maior após levantamentos baseados na Lei de Acesso à Informação apontarem que Luchsinger esteve dezenas de vezes em órgãos do governo federal durante os primeiros anos da atual gestão.

Segundo levantamento citado por diferentes veículos, ela esteve em órgãos como o Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e Palácio do Planalto. Parte dessas visitas não teria constado das agendas oficiais.

As investigações procuram esclarecer se as relações pessoais mantidas pela empresária com pessoas próximas ao presidente foram utilizadas para intermediar interesses privados junto ao governo.

Até o momento, contudo, a existência das reuniões, visitas ou relações pessoais não constitui, por si só, prova de crime. As autoridades ainda apuram se houve efetiva influência sobre decisões administrativas ou contratos públicos.





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