O presidente Lula da Silva (PT) associou, em pronunciamento oficial na noite deste domingo (6), as comemorações do 7 de Setembro à defesa de mais t
O presidente Lula da Silva (PT) associou, em pronunciamento oficial na noite deste domingo (6), as comemorações do 7 de Setembro à defesa de mais tempo para os trabalhadores fora do ambiente profissional. A declaração ocorre poucos dias depois de a proposta que prevê o fim da escala 6×1 avançar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não chegar à votação do plenário.
Ao abordar o significado da independência, Lula afirmou que a soberania também está relacionada à possibilidade de o brasileiro estudar, escolher sua profissão, ter melhores oportunidades e dedicar mais tempo à família.
“A independência de poder estudar, pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego. Ter mais tempo para si mesmo e para sua família”, afirmou o presidente.
A PEC 221/2019, aprovada pela CCJ do Senado em 2 de setembro, estabelece a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. O texto ainda precisa ser analisado pelo plenário da Casa.
Fim da escala 6×1 ganha espaço no discurso eleitoral
A defesa da redução da jornada de trabalho se consolidou como uma das principais bandeiras do governo durante a campanha pela reeleição. Após a aprovação na CCJ, porém, a proposta não avançou imediatamente para votação dos senadores.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a intenção da base governista é votar a PEC antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Caso isso não seja possível, a discussão poderá ser retomada na segunda semana de outubro.
A proposta precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos do Senado, em dois turnos de votação. Antes disso, ainda terá de cumprir as etapas regimentais de discussão no plenário.
Lula defende soberania
Além da pauta trabalhista, o pronunciamento teve como eixo central a soberania brasileira. Lula afirmou que a independência deve ser compreendida também como a capacidade de o país proteger seu território, suas fronteiras, seus recursos naturais e seu patrimônio estratégico.
O presidente mencionou as reservas de terras raras, a disponibilidade de água doce e as novas perspectivas de exploração de petróleo. Segundo Lula, esses recursos devem ser utilizados para gerar desenvolvimento, tecnologia e empregos no país.
“Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, declarou.
A fala também ocorre em meio às discussões sobre minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para setores tecnológicos e industriais.
Presidente critica dependência externa
Lula afirmou ainda que o Brasil não deve se transformar novamente em uma “colônia” de potências estrangeiras e defendeu que os recursos naturais sejam utilizados para fortalecer a economia nacional.
No discurso, o presidente também defendeu o livre comércio e afirmou que nenhum país estrangeiro deve determinar de quem o Brasil pode comprar ou para quem pode vender seus produtos.
Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula relacionou a defesa da soberania à autonomia das decisões comerciais brasileiras. O governo brasileiro enfrenta atualmente impactos decorrentes das tarifas norte-americanas sobre produtos exportados pelo país.
Discurso mistura direitos sociais e agenda nacional
Ao longo do pronunciamento, Lula apresentou uma concepção ampla de independência, incluindo direitos sociais, educação, saúde pública, redução da pobreza e combate às desigualdades.
O presidente também destacou a Amazônia, a biodiversidade brasileira, a transição energética e as políticas ambientais como elementos associados à projeção internacional do país.
A estratégia do discurso aproxima a celebração do 7 de Setembro de temas que estão no centro da agenda política de 2026, especialmente a redução da jornada de trabalho, a valorização dos recursos naturais e a defesa da soberania econômica.
A PEC do fim da escala 6×1, contudo, ainda depende de votação no plenário do Senado. A aprovação na CCJ representou um avanço importante, mas não significa que a mudança na jornada de trabalho já esteja em vigor.


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