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Lula enfrenta debandada nos ministérios e corre para reorganizar equipe em ano pré-eleitoral

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A pouco mais de quatro meses da largada oficial para as eleições municipais e estaduais de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já monitora

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A pouco mais de quatro meses da largada oficial para as eleições municipais e estaduais de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já monitora uma crise silenciosa dentro do próprio governo. Dos 38 ministros que compõem a Esplanada, ao menos 19 planejam deixar suas pastas entre o fim de março e o início de abril para disputar mandatos no próximo ano. O movimento, inevitável do ponto de vista eleitoral, cria um vácuo político em áreas sensíveis como economia, articulação com o Congresso e gestão da Casa Civil.

O Planalto, que trava neste momento embates sucessivos com o Congresso e observa o avanço de nomes da direita, como o recém-lançado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conduz a dança das cadeiras longe dos holofotes. Lula tem chamado auxiliares um a um para tentar brecar a debandada, reorganizar o xadrez e garantir que a máquina continue funcionando até a campanha.

Gleisi vira peça-chave no tabuleiro

Um dos casos mais delicados é o da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Responsável pela articulação entre governo e Congresso em meio a um clima de atrito permanente, ela deve deixar o cargo no início de abril para buscar um novo mandato na Câmara pelo Paraná. Sua saída abre uma lacuna crítica.

O problema aumenta porque o organograma não oferece sucessores diretos. O ex-secretário-executivo Gustavo Ponce deixou o posto, e quem assumiu, o diplomata Marcelo Costa, não tem perfil político. O secretário de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano, até circula bem na Câmara, mas é candidato a deputado estadual no Rio. Nos bastidores, aliados admitem que Lula pode até pedir que Gleisi permaneça, mas o cálculo eleitoral no Paraná, reduto bolsonarista, pesa contra essa hipótese.

Haddad e Tebet: futuro indefinido e disputa por São Paulo

Na economia, Lula também terá de fazer escolhas rápidas. O ministro Fernando Haddad é cotado tanto para o Senado quanto para o governo de São Paulo. Caso saia, o secretário-executivo Dario Durigan é o nome mais provável para assumir o comando da Fazenda. Já no Planejamento, Simone Tebet (MDB), enfraquecida em seu reduto do Mato Grosso do Sul após apoiar Lula em 2022, deve buscar uma vaga ao Senado por São Paulo. Sua saída abre caminho para Bruno Moretti, assessor especial da Casa Civil.

Casa Civil, Cultura e outras baixas

Outra mudança relevante é a saída do ministro Rui Costa, desafeto de Haddad e articulador interno do governo. Ele deve disputar o Senado pela Bahia e será substituído pela secretária-executiva, Miriam Belchior. A primeira-dama, Janja, também pressiona pela candidatura de Margareth Menezes (Cultura), que avalia convite para se filiar ao PT e concorrer a deputada federal.

Camilo Santana, ministro da Educação, entra no radar como possível candidato ao governo do Ceará, caso Ciro Gomes (PSDB-CE) avance de vez na disputa estadual. O PT teme perder o Palácio da Abolição e considera o retorno de Camilo um movimento estratégico para segurar o Estado.

Planos para Alckmin e observação sobre Tarcísio

As definições, porém, também dependem dos movimentos da direita. O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é visto por integrantes do governo como um “balão de ensaio”. O nome que realmente interessa ao Planalto é o do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Se Tarcísio entrar na disputa pelo Planalto, Lula pode lançar o vice Geraldo Alckmin (PSB) ao governo de São Paulo.

Mesmo que permaneça como vice, Alckmin terá de deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que ficaria sob o comando do secretário-executivo, Márcio Elias Rosa.

Lula tenta segurar peças, mas relógio eleitoral corre

O presidente tenta convencer alguns ministros a permanecer pelo menos até que o cenário político esteja mais estabilizado. Conseguiu, por exemplo, demover Luiz Marinho (Trabalho) de disputar a reeleição à Câmara. “O mais importante é a continuidade do projeto nacional”, disse Marinho, ao abrir mão da disputa.

Ainda assim, a planilha do governo mostra que a Esplanada passará por uma das maiores reformulações desde o início do mandato. Em meio a tensões com o Centrão e à reorganização da direita, Lula corre para preencher lacunas, manter o governo funcionando e, sobretudo, preservar capital político em um ano que promete ser decisivo para 2026.





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