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Lula é condecorado no Panamá e defende integração regional diante de pressões externas

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O presidente Lula da Silva (PT) foi homenageado nesta quarta-feira (28) no Panamá com a Ordem de Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração c

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O presidente Lula da Silva (PT) foi homenageado nesta quarta-feira (28) no Panamá com a Ordem de Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração concedida pelo país. A honraria foi entregue pelo presidente panamenho José Raúl Mulino, após a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, que reúne líderes políticos e empresariais até sexta-feira (30).

Durante o discurso conjunto, Lula ressaltou a relação institucional com Mulino, líder de um campo político distinto do seu, e defendeu a união dos países latino-americanos e caribenhos em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e disputas de poder.

“A América Latina e o Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional. Unidos, podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para mais de 660 milhões de pessoas”, afirmou o presidente brasileiro.

Soberania regional e críticas indiretas aos EUA

Sem citar diretamente conflitos diplomáticos recentes, Lula afirmou que a soberania do continente tem sido colocada à prova e defendeu alinhamento político e econômico entre os países da região como forma de proteção coletiva. A fala ocorre em meio ao protagonismo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao endurecimento da política externa norte-americana.

A Ordem de Manuel Amador Guerrero faz referência ao primeiro presidente do Panamá após a independência, em 1903. Lula se junta a um seleto grupo de chefes de Estado que já receberam a medalha, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, homenageado em 2001.

Canal do Panamá e avanço comercial

Em outro trecho do discurso, Lula destacou o papel estratégico do Canal do Panamá para o comércio mundial e elogiou a condução panamenha da via marítima, citando o compromisso com neutralidade e sustentabilidade ambiental.

O presidente também revelou que o comércio bilateral entre Brasil e Panamá cresceu 78% no último ano e anunciou avanços importantes para o agronegócio brasileiro. Segundo Lula, o Brasil concluiu os procedimentos sanitários exigidos para exportar carne bovina e suína ao país, abrindo um novo mercado para produtos estratégicos da balança comercial.

Política “olho no olho”

Em tom mais informal, Lula voltou a defender o contato pessoal como ferramenta essencial da diplomacia. Ele afirmou que relações humanas são determinantes na política internacional e minimizou a importância de interações digitais em detrimento do diálogo direto entre líderes.

“A política é uma relação humana. O aperto de mão, o abraço, o olhar no olho valem mais do que milhares de mensagens. Nós não somos algoritmos”, disse.

O presidente também mencionou a intenção de se reunir presencialmente com Donald Trump nos próximos meses para tratar de temas sensíveis, como a situação da Venezuela e propostas brasileiras de articulação internacional fora do eixo tradicional do Conselho de Segurança da ONU.

A passagem de Lula pelo Panamá reforça a estratégia do Planalto de reposicionar o Brasil como liderança regional, ampliando sua influência política, econômica e diplomática na América Latina e no Caribe.





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