O presidente Lula da Silva (PT) vem sendo aconselhado por integrantes do governo a manter distância do confronto entre os ministros André Mendonça
O presidente Lula da Silva (PT) vem sendo aconselhado por integrantes do governo a manter distância do confronto entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação no Palácio do Planalto é de que a crise deve ser tratada como uma questão interna do Judiciário e que uma intervenção política do presidente poderia ampliar os desgastes em pleno ano eleitoral. A informação foi publicada pelo jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil.
O conflito ganhou força depois que Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens e informações sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material passou a colocar o próprio ministro no centro das discussões do inquérito que apura o caso.
Entre os elementos revelados estão mensagens nas quais Vorcaro teria procurado Moraes às vésperas de sua prisão, inclusive perguntando se deveria deixar o país. A PF também identificou registros de encontros entre os dois e outras informações que levaram Mendonça a solicitar manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Planalto teme reflexos nas eleições
A preocupação do governo não se limita ao desgaste institucional. Segundo a avaliação relatada pela CNN, o episódio pode acabar contaminando o debate eleitoral e fornecer novos argumentos para candidatos e grupos políticos que já fazem críticas ao STF.
O receio é que Lula seja pressionado a assumir posição em um conflito que envolve diretamente ministros da Suprema Corte. Além disso, Mendonça é relator de investigações relacionadas a Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, o que torna uma eventual manifestação do presidente ainda mais delicada politicamente.
No STF, a preocupação também aumentou. Mendonça pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que convoque uma sessão presencial do plenário para discutir os elementos apresentados pela PF. O ministro considera que o plenário é a instância adequada para uma análise técnica e jurídica das informações.
Fachin tenta conter crise interna
Fachin passou a exercer papel central na tentativa de impedir que o conflito entre os ministros provoque uma ruptura institucional dentro do Supremo. Segundo a CNN, o presidente da Corte defende uma reunião entre os magistrados para buscar uma saída conjunta para o impasse.
A situação, entretanto, já provocou tensão dentro da própria estrutura responsável pela investigação. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teria considerado ilegais algumas determinações de Mendonça e questionado a possibilidade de investigação de um ministro do STF sem autorização do plenário.
Mendonça, por sua vez, sustenta que o plenário deve ser o espaço para avaliar os elementos reunidos pela investigação. A expectativa agora está concentrada na manifestação da PGR e na decisão de Fachin sobre levar ou não o caso para análise dos demais ministros.
Crise aumenta pressão política
Enquanto o Supremo tenta administrar a disputa internamente, o caso já produz efeitos no Congresso e no cenário eleitoral. Senadores e deputados, principalmente da oposição, ampliaram as cobranças por investigação e afastamento de Moraes após a divulgação dos documentos.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), porém, sinalizou que não pretende avançar imediatamente com novos pedidos de impeachment e prefere aguardar uma manifestação institucional do STF.
Para o governo, o cenário reforça a necessidade de Lula evitar uma entrada direta na disputa ou o pior sobrará para ele.


COMMENTS