Um livro recém-lançado na Europa traz novos detalhes sobre a sucessão papal no Vaticano e aponta que o papa Francisco atuou de forma indireta para
Um livro recém-lançado na Europa traz novos detalhes sobre a sucessão papal no Vaticano e aponta que o papa Francisco atuou de forma indireta para criar condições que levaram à eleição de seu sucessor, o atual Leão XIV.
A obra “The Election of Pope Leon XIV – The Last Surprise of Pope Francis”, escrita pela jornalista Elisabetta Piqué em parceria com Gerard O’Connell, reconstrói os bastidores do conclave que elegeu o então cardeal Robert Francis Prevost em maio de 2025, poucos dias após a morte de Francisco, ocorrida em 21 de abril daquele ano.
Segundo a publicação, embora nunca pudesse indicar diretamente um sucessor, Francisco deixou sinais claros de preferência por um perfil pastoral e menos alinhado à ala conservadora da Igreja. Prevost, considerado discreto e experiente, acabou se consolidando como alternativa viável após articulações silenciosas entre cardeais.
O livro revela ainda que o próprio Prevost não acreditava na possibilidade de eleição, por ser norte-americano, fator historicamente visto como impeditivo dentro do Vaticano. A avaliação, no entanto, foi superada por seu perfil missionário e pela trajetória construída fora dos Estados Unidos, especialmente no Peru.
A análise de Piqué indica que Francisco foi decisivo ao promover Prevost dentro da hierarquia da Igreja, nomeando-o para funções estratégicas e elevando seu status entre os cardeais. Em registros citados pela autora, o pontífice chegou a classificá-lo como “um homem santo”, sinal interpretado como indicativo de confiança.
Quase um ano após assumir o comando da Igreja Católica, Leão XIV começa a imprimir seu próprio estilo, combinando discrição com posicionamentos firmes em temas globais. Em meio a tensões internacionais, o pontífice se manifestou contra conflitos armados e defendeu políticas de acolhimento a migrantes, evitando confronto direto, mas sem abdicar de suas posições.
Recentemente, declarações do papa geraram repercussão ao responder críticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem adotar tom agressivo, Leão XIV reafirmou o papel da Igreja na defesa da paz e dos valores do Evangelho.
A obra também aponta que o atual pontificado segue a tradição diplomática do Vaticano, baseada no chamado soft power, estratégia que busca influenciar decisões globais por meio do diálogo e da autoridade moral.
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV carrega a experiência de atuação internacional e conhecimento político que, segundo especialistas, ampliam sua capacidade de interlocução em um cenário global marcado por conflitos e instabilidade.
Ainda sem previsão de lançamento no Brasil, o livro reforça a leitura de que a sucessão papal de 2025 foi resultado de um processo cuidadosamente construído, no qual a influência de Francisco permaneceu determinante mesmo após sua morte.


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