O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o sucessor do presidente Lula da Silva não precisa necessariamente ser filiado
O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o sucessor do presidente Lula da Silva não precisa necessariamente ser filiado ao PT. Em entrevista ao jornal O Globo, ele defendeu que a continuidade do atual projeto político seja construída por um campo mais amplo de partidos e lideranças.
Ao comentar possíveis nomes para a sucessão presidencial, Jerônimo citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) como exemplo de liderança que, mesmo fora do PT, tem papel importante no governo. O governador ponderou, porém, que ainda é cedo para antecipar uma discussão sobre candidaturas.
Na avaliação de Jerônimo, a escolha de uma liderança para dar continuidade ao projeto de Lula dependerá da capacidade de reunir diferentes forças políticas em torno de uma agenda comum. Ele também afirmou que o presidente precisará ampliar o diálogo com a sociedade e com o setor econômico, sem deixar de priorizar as demandas sociais.
Governador cobra mais espaço para o Nordeste
Outro ponto central da entrevista foi a participação do Nordeste nas decisões do PT e na formação do quarto governo Lula. Jerônimo destacou que os quatro governadores petistas são da região e defendeu maior presença nordestina nos espaços de decisão da legenda e na composição ministerial.
O governador ressaltou que a Bahia teve participação expressiva na votação de Lula, mas ponderou que a distribuição de cargos não deve seguir uma conta proporcional ao número de votos. Para ele, o reconhecimento político da região precisa se traduzir em participação nas decisões nacionais e na elaboração de políticas públicas.
Jerônimo também afirmou que o Nordeste não deve ser visto apenas como uma região importante para garantir votos, mas como um espaço capaz de contribuir com propostas de desenvolvimento, infraestrutura e ciência.
Lula terá desafio de unificar o país
Ao avaliar os desafios do próximo mandato, o governador defendeu que Lula trabalhe para reduzir a polarização política e reconstruir o diálogo entre os brasileiros. Segundo ele, as divergências eleitorais não devem comprometer as relações familiares e sociais.
Jerônimo também abordou a segurança pública. Defendeu punições adequadas para integrantes do crime organizado, associadas a políticas de ressocialização e ações sociais. Sobre a violência na Bahia, afirmou que o governo estadual ampliou o efetivo policial, realizou apreensões de armas e drogas e investiu em equipamentos de segurança.
Reeleito no primeiro turno, com 55,80% dos votos válidos, Jerônimo inicia um novo mandato em meio às discussões sobre a reorganização do PT e a formação da equipe de Lula. O governador defende que a renovação política inclua maior participação regional e a construção de uma frente capaz de sustentar o projeto do presidente nos próximos anos.


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