O governo da Bahia, comandado por Jerônimo Rodrigues (PT), autorizou o pagamento de R$ 21,5 milhões ao governo de Cuba para financiar os estudos de
O governo da Bahia, comandado por Jerônimo Rodrigues (PT), autorizou o pagamento de R$ 21,5 milhões ao governo de Cuba para financiar os estudos de 60 alunos baianos de baixa renda na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam). O investimento será feito ao longo de seis anos e meio, com parcelas anuais que cobrem matrícula, hospedagem, alimentação e demais custos.
O edital, publicado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), prevê R$ 360 mil por aluno — valor superior ao custo médio do curso para estudantes não bolsistas, segundo dados da própria instituição cubana. A seleção será coordenada pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e os aprovados deverão, após concluírem a formação, atuar por dois anos em regiões rurais carentes.
Apesar de a iniciativa ser apresentada como um projeto de inclusão educacional, o repasse milionário reacendeu críticas ao histórico de transferências de recursos públicos brasileiros para Cuba, especialmente em governos do PT.
Herança dos repasses bilionários ao regime cubano
Os pagamentos à ilha comunista voltaram a gerar controvérsia política e lembraram os bilhões enviados via BNDES durante os governos Lula e Dilma Rousseff para financiar obras e projetos em países aliados ideológicos, entre eles Cuba e Venezuela. Diversos desses empréstimos nunca foram quitados, e parte da dívida cubana com o banco estatal segue inadimplente.
Além disso, o episódio remete ao Programa Mais Médicos, lançado em 2013, quando o Brasil repassava valores à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que, por sua vez, destinava o dinheiro ao governo cubano. Estimativas indicam que até 75% dos vencimentos dos médicos eram retidos pelo regime de Havana, enquanto apenas uma pequena parcela chegava aos profissionais.
A operação foi alvo de investigações do TCU e do Ministério Público Federal, que apontaram falhas na transparência dos repasses e questionaram a legalidade do modelo, acusado de servir mais aos cofres de Cuba do que à saúde brasileira.
Seleção e exigências
Para concorrer às bolsas, os candidatos devem ser brasileiros, de preferência moradores da zona rural da Bahia, ter concluído o ensino médio, comprovar baixa renda e apresentar carta de recomendação de movimentos sociais. A iniciativa é conduzida em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).
A Elam, fundada em 1999 por Fidel Castro, se tornou um dos símbolos da diplomacia educacional cubana, formando mais de 30 mil médicos de 120 países. Contudo, críticos apontam que programas do tipo reforçam a dependência financeira e política de governos aliados, enquanto drenam recursos públicos de estados e da União.
Velha prática, novas críticas
Parlamentares da oposição na Bahia e em Brasília classificaram o investimento como “mais um presente do PT ao regime cubano”, relembrando os bilhões enviados pelo BNDES para obras como o porto de Mariel, em Cuba, cujo retorno financeiro jamais foi comprovado.
Enquanto o governo estadual defende o projeto como “formação humanitária e solidária”, críticos enxergam repetição de um modelo que já custou caro ao contribuinte brasileiro — um modelo onde o dinheiro sai, mas o retorno, como nos casos anteriores, nunca mais é visto.


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