Rádio Peão levanta questionamentos sobre o adiamento da inauguração, enquanto a construção da UBS do CIA I entra na mira das cobranças por transpa
Rádio Peão levanta questionamentos sobre o adiamento da inauguração, enquanto a construção da UBS do CIA I entra na mira das cobranças por transparência. Há informações sobre problemas na execução do contrato e possível substituição da empresa responsável, mas os fatos ainda precisam de comprovação documental.
Meus nobres, inquietos e calejados leitores da cidade icônica dos absurdos, Simões Filho, onde tudo pode acontecer, inclusive nada, desta vez a Rádio Peão, aquela que não dorme, não tira férias e mantém seus informantes de plantão nos corredores do poder, trouxe algumas informações que merecem atenção.
E o Bom Velhinho, que já viu muita inauguração com fogos de artifício, discursos inflamados e políticos disputando espaço para aparecer na fotografia, resolveu fazer algumas perguntas.
Afinal, por que a tão anunciada Creche Modelo Maria Alves dos Santos, no bairro Cristo Rei, não foi inaugurada no sábado, 7 de novembro, aniversário de 65 anos de emancipação política de Simões Filho?
A versão oficial da Prefeitura é que uma instabilidade na rede de energia elétrica da região obrigou o adiamento da cerimônia. Segundo o comunicado da SEGOV/Cerimonial, a concessionária responsável foi acionada, e uma nova data será anunciada.
Até aí, tudo bem!
Mas a Rádio Peão, essa danada que costuma ouvir até conversa debaixo da mesa, apresenta outra versão: a obra não estaria completamente pronta para ser entregue à população.
Será?
A informação ainda não está comprovada. Entretanto, uma consulta ao Portal da Transparência municipal revelou um detalhe que aumenta a necessidade de esclarecimentos.
Em 6 de novembro de 2026, o portal ainda apresentava como “em andamento” o Pregão Eletrônico nº 022R/2026, relativo ao fornecimento de mobiliário, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, brinquedos e outros materiais destinados às creches Cristo Rei, Recanto do Sol e Engenho Novo. O valor estimado da contratação era de R$ 578.084,30.
Isso não demonstra, por si só, que a creche estava inacabada, pois o processo envolve três unidades. Mas deixa uma pergunta perfeitamente legítima:
Como estava a situação dos equipamentos, da climatização e das instalações elétricas da creche na data marcada para a inauguração?
E mais: existe relatório técnico da concessionária confirmando a instabilidade elétrica apontada pela Prefeitura?
Porque, meus nobres leitores, uma coisa é adiar uma solenidade por um problema externo. Outra, muito diferente, seria anunciar uma inauguração sem que o equipamento público estivesse efetivamente pronto para receber as crianças.
A população merece conhecer a resposta.
E a situação da creche levanta perguntas, a construção da Unidade Básica de Saúde do CIA I merece uma investigação ainda mais cuidadosa.
Em 13 de janeiro de 2026, a Prefeitura publicou uma matéria afirmando que a construção da nova UBS seguia dentro do cronograma, com serviços de reboco, contrapiso e armação de vigas.
O então secretário de Infraestrutura, Gabriel Marques, assegurava que os trabalhos estavam sendo acompanhados tecnicamente e respeitavam as especificações do projeto.
Em 13 de fevereiro, nova publicação da Prefeitura repetiu que a obra avançava dentro do cronograma.
Agora vem a informação que está movimentando a Rádio Peão!
Segundo relatos recebidos por nossos informantes, a obra estaria enfrentando problemas na execução contratual, incluindo possíveis divergências entre serviços previstos em planilha, serviços efetivamente realizados e valores eventualmente pagos.
E tem mais!
A Rádio Peão também informa que a administração estaria tomando providências para convocar a empresa segunda colocada na licitação para assumir a execução dos serviços.
Atenção: essas informações permanecem sob apuração. A pesquisa realizada até 8 de novembro não localizou publicação oficial que comprovasse a rescisão do contrato da UBS do CIA I, a convocação da segunda colocada ou pagamentos por serviços não executados.
Mas, diante da gravidade dos relatos, algumas perguntas precisam ser respondidas:
Qual é a empresa atualmente responsável pela construção da UBS do CIA I?
Qual o valor original do contrato e quanto já foi efetivamente pago?
Existem relatórios técnicos apontando falhas ou serviços executados em desacordo com a planilha?
A Prefeitura instaurou algum procedimento administrativo contra a contratada?
Houve rescisão contratual, notificação ou convocação da segunda colocada?
Quem são os fiscais responsáveis pela medição e pelo acompanhamento dos serviços?
E aqui cabe uma observação importante da pesquisa: foi localizado o Contrato nº 0023/2025, no valor de R$ 2.405.353,82, firmado com a Enloca Construtora Ltda. para a construção de uma UBS no Loteamento Sol Nascente. A contratação também envolveu uma unidade no CIA II, em outro lote. Não se trata de comprovação do contrato da UBS do CIA I, e seria incorreto confundir os empreendimentos.
A documentação específica do CIA I continua sendo indispensável para esclarecer as suspeitas.
Porque, meus nobres leitores, se houver pagamentos por serviços não executados, a questão deixará de ser apenas um atraso de obra e exigirá apuração pelos órgãos competentes. Por enquanto, não existe comprovação documental suficiente para afirmar que isso tenha acontecido.
E AS OUTRAS OBRAS, PREFEITO DEL?
O prefeito Devaldo Soares, o nosso conhecido Del do Cristo Rei, já se aproxima de completar dois anos no comando da Prefeitura.
A Rádio Peão lembra a ponte de Góes Calmon, uma das intervenções que ganharam destaque político e provocaram questionamentos do vereador Adailton Caçambeiro, além de desgastes dentro da base governista.
Mas a pesquisa também identificou outras entregas divulgadas oficialmente, que precisam ser reconhecidas para que a cobrança seja justa.
Em 6 de outubro de 2026, a Prefeitura anunciou a entrega da Praça Martiniano José do Bomfim e da Quadra Poliesportiva Pedro Rocha, requalificadas no CIA I. Também divulgou a entrega da contenção e da escadaria da Estrada de Candeias, em 26 de setembro.
Existem ainda anúncios de construções e intervenções como as creches do Recanto do Sol, Engenho Novo e Campo do Vasco, unidades habitacionais do Cristo Rei e obras de infraestrutura em outros bairros.
Contudo, anunciar uma obra, assinar uma ordem de serviço, reformar um equipamento público e inaugurar uma construção nova são situações diferentes.
É justamente essa distinção que a administração municipal precisa apresentar com clareza.
Quantas obras novas foram iniciadas e concluídas durante o governo Del? Quantas foram herdadas da administração anterior? Quantas estão atrasadas? E quanto o município já desembolsou por cada uma delas?
A HERANÇA DE DINHA E A CONTA QUE DEL PRECISA EXPLICAR
Há ainda outro ingrediente nesse angu de caroço!
Nos bastidores políticos, a gestão Del tem sido marcada pelas discussões sobre as obrigações financeiras deixadas pela administração do ex-prefeito Diógenes Tolentino, o nosso conhecido Dinha.
O antigo mentor político, agora apontado pela Rádio Peão como desafeto do prefeito, permanece no centro dessa discussão.
Segundo relatos políticos, uma das grandes tarefas de Del foi administrar e pagar dívidas herdadas do governo anterior.
Mas qual o valor real dessa herança? Quanto foi efetivamente pago? Quais débitos são de administrações anteriores e quais surgiram na atual gestão?
Sem os demonstrativos oficiais da dívida e dos pagamentos, não é possível quantificar essa alegada herança financeira.
A responsabilidade fiscal é necessária. Entretanto, a população também precisa de obras entregues, unidades de saúde funcionando, creches atendendo crianças e serviços públicos de qualidade.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Meus nobres e inquietos leitores, o Bom Velhinho não pretende transformar informação de bastidor em sentença condenatória.
Mas também não vai permitir que perguntas legítimas desapareçam debaixo dos tapetes dos gabinetes.
A Prefeitura precisa esclarecer por que a creche do Cristo Rei não foi inaugurada e apresentar a documentação técnica que motivou o adiamento.
Quanto à UBS do CIA I, o prefeito Del e a Secretaria de Infraestrutura precisam tornar públicos o contrato, a planilha orçamentária, as medições, os pagamentos, os relatórios de fiscalização e os eventuais procedimentos relacionados à substituição da empresa executora.
A Câmara Municipal, cuja principal responsabilidade inclui fiscalizar o Executivo, também tem papel fundamental nessa história.
E olha que ironia!
Agora que Sid Serra foi eleito presidente da Câmara e declarou sua liderança política vinculada ao prefeito Del, surge uma excelente oportunidade para demonstrar que a amizade política não impede a fiscalização do dinheiro público.
Porque o dinheiro é do povo, a obra é para o povo e a prestação de contas deve ser feita ao povo!
Quanto à creche, ficamos aguardando a nova data.
E quanto à UBS do CIA I, aguardamos algo ainda mais importante: documentos e respostas.
Afinal, em Simões Filho, a fita da inauguração pode até esperar. Mas a transparência não deveria entrar em férias.
Este espaço permanece aberto para os esclarecimentos da Prefeitura, da Secretaria de Infraestrutura e das empresas envolvidas.
Alberto de Avellar
Cronista Político — Crônicas do Bom Velhinho


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