Uma reportagem especial publicada pelo Estadão reconstrói a rede de relacionamentos do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com pol
Uma reportagem especial publicada pelo Estadão reconstrói a rede de relacionamentos do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com políticos e autoridades dos Três Poderes. Batizada de “Vorcarosfera”, a ferramenta interativa reúne informações extraídas de investigações oficiais e reportagens para detalhar a atuação do banqueiro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
De acordo com a publicação, Vorcaro construiu uma ampla rede de contatos em Brasília com o objetivo de fortalecer sua influência política e institucional enquanto expandia os negócios do Banco Master. A reportagem afirma que essa articulação envolvia parlamentares, integrantes do Executivo, ministros de tribunais superiores e órgãos de controle, independentemente de alinhamentos partidários.
Entre as relações apontadas estão encontros reservados, viagens em jatinhos particulares, participação em eventos privados, reuniões de negócios, degustações de uísque e charutos, além de suspeitas de pagamento de vantagens indevidas investigadas pelas autoridades. A reportagem ressalta que, em regra, os citados negam qualquer prática de irregularidade.
Segundo o levantamento, Vorcaro buscou apoio no Congresso Nacional para ampliar os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), contratou ex-ministros dos governos do presidente Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) para atividades de consultoria, manteve interlocução com integrantes do Banco Central e tentou viabilizar operações envolvendo uma instituição financeira estatal do Distrito Federal.
A publicação também aponta que o empresário buscou interlocução junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master. Conforme a reportagem, as apurações analisam a atuação do banqueiro em diferentes frentes e a possível utilização de influência política para proteger os interesses da instituição financeira.
A ferramenta desenvolvida pelo Estadão foi elaborada com base em documentos da Polícia Federal, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), decisões judiciais e outras informações obtidas e verificadas pela equipe de reportagem. O material organiza os personagens conforme o grau de proximidade com Daniel Vorcaro e informa que, quando existentes, os valores citados correspondem a recursos recebidos diretamente ou por intermédio de empresas e familiares.
A reportagem também revela uma mensagem atribuída ao banqueiro, enviada em abril de 2025 à então namorada, Martha Graeff, na qual ele escreveu: “Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia”. A frase integra o conjunto de elementos reunidos durante as investigações.
Enquanto as apurações seguem em andamento, Daniel Vorcaro tenta firmar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o Estadão, as negociações ainda não avançaram porque os investigadores entendem que o ex-banqueiro resiste a apresentar informações além daquelas já extraídas dos celulares apreendidos durante a operação.


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