O cenário político do Distrito Federal, antes considerado previsível para as eleições de 2026, passou por uma reviravolta após o avanço das investi
O cenário político do Distrito Federal, antes considerado previsível para as eleições de 2026, passou por uma reviravolta após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. O caso impacta diretamente projetos eleitorais que eram tratados como praticamente definidos, especialmente no entorno do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
Até o fim de 2025, a expectativa era de que Ibaneis deixasse o governo para disputar uma vaga no Senado com amplo favoritismo, apoiado por uma aliança que reuniria diferentes forças da direita. No entanto, após ser atingido politicamente pelo escândalo, ele renunciou ao cargo e passou a enfrentar incertezas sobre sua viabilidade eleitoral. O Partido Liberal, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, suspendeu o apoio à sua pré-candidatura.
Com a saída de Ibaneis, a vice Celina Leão (PP) assumiu o governo e tenta se afastar da crise. Logo ao tomar posse, ela determinou o afastamento de executivos do Banco de Brasília, instituição pública envolvida nas investigações. Segundo apurações da Polícia Federal, o banco adquiriu ativos considerados de alto risco do Master, o que teria gerado prejuízo estimado em R$ 12 bilhões.
As irregularidades detectadas incluem inconsistências cadastrais em operações de crédito, como registros de supostos beneficiários com mais de 120 anos. Celina afirma que não participou das decisões e que sua gestão irá garantir a apuração dos fatos.
O impacto político, porém, vai além da gestão administrativa. A proximidade entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e figuras influentes do Congresso ampliou a repercussão do caso. Entre os nomes citados está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontado em mensagens como próximo ao banqueiro.
A oposição no Distrito Federal já explora essas conexões. O deputado Chico Vigilante (PT) questiona o grau de conhecimento da atual governadora sobre os fatos, aumentando a pressão sobre sua gestão e sobre a manutenção das alianças políticas.
O rearranjo também atingiu a disputa ao Senado. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou apoio à candidatura de Bia Kicis (PL-DF), ocupando o espaço que antes era considerado destinado a Ibaneis. A movimentação reforça o distanciamento do PL, que agora adota cautela e aguarda o desenrolar das investigações antes de definir apoio formal.
Aliados de Ibaneis admitem que ele pode rever seus planos e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, diante da perda de força na corrida ao Senado. Já Celina Leão enfrenta o desafio de manter sua base política sem o apoio consolidado do eleitorado bolsonarista, considerado decisivo no Distrito Federal.


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