O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém sem avanço a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de tr
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém sem avanço a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 e, segundo aliados, não pretende colocar o texto em votação antes das eleições de 2026. A avaliação nos bastidores é de que a matéria deve permanecer paralisada até o fim do calendário eleitoral, período em que o Congresso costuma restringir a análise de temas considerados polêmicos.
De acordo com interlocutores do presidente do Senado, Alcolumbre aguarda uma conversa com o presidente Lula da Silva (PT) para discutir a pauta legislativa e tentar reaproximar o Palácio do Planalto da cúpula do Senado. Os dois não voltaram a se reunir pessoalmente desde a rejeição, pela Casa, da indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O recesso parlamentar começa em 17 de julho e, durante o período eleitoral, a expectativa é que o Senado realize apenas sessões virtuais, sem incluir propostas de grande repercussão política na pauta de votações.
Além da PEC do fim da escala 6×1, Alcolumbre também retardou a tramitação de outras matérias consideradas prioritárias pelo governo federal, entre elas a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos, o projeto que cria incentivos para instalação de data centers no Brasil e a medida provisória relacionada ao fim da chamada “taxa das blusinhas”.
Nos bastidores, aliados do presidente do Senado afirmam que o cenário ainda pode mudar caso ocorra um encontro com Lula e haja um entendimento político entre os dois. Entretanto, reconhecem que o tempo para votação antes do início da campanha é cada vez mais reduzido.
Em declarações públicas, Alcolumbre tem adotado discursos distintos conforme o público. Em encontros com empresários, defendeu que o debate sobre o fim da escala 6×1 não seja acelerado durante o período eleitoral e sugeriu que a proposta incorpore pontos de uma PEC alternativa apresentada pela oposição, que prevê maior flexibilização das relações de trabalho, incluindo a possibilidade de pagamento por hora trabalhada.
Já em reunião com representantes das centrais sindicais, ministros do governo e parlamentares de esquerda, realizada nesta semana, o senador questionou o prazo de transição previsto no texto aprovado pela Câmara dos Deputados e pediu estudos técnicos sobre a possibilidade de reduzir esse período sem necessidade de a proposta retornar para nova votação na Câmara. Sindicalistas interpretaram o gesto como um sinal de abertura ao diálogo, embora defendam a manutenção do texto original para evitar questionamentos jurídicos.
Outro ponto de tensão envolve a relação entre Alcolumbre e integrantes do governo. O senador tem reclamado publicamente de pressões promovidas por aliados do Palácio do Planalto para acelerar a votação da PEC. As críticas aumentaram após declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), que afirmou que o presidente do Senado estaria “brincando com fogo” ao manter a proposta parada.
Durante sessão de debates no Senado, Boulos afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma demanda da sociedade e não apenas do governo federal, mas evitou ampliar a polêmica com Alcolumbre.
Enquanto empresários defendem que a discussão ocorra somente após as eleições, alegando impacto sobre custos e geração de empregos, integrantes da base governista avaliam que a PEC poderá se transformar em uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula. Por outro lado, aliados de Alcolumbre sustentam que a postura de independência adotada pelo senador pode fortalecer sua articulação política para uma eventual recondução à presidência do Senado em 2027.


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