A CPI do Crime Organizado foi oficialmente instalada nesta terça-feira (4), no Senado Federal, em meio a um ambiente de forte comoção e expectativa
A CPI do Crime Organizado foi oficialmente instalada nesta terça-feira (4), no Senado Federal, em meio a um ambiente de forte comoção e expectativa. A sessão de abertura começou com uma homenagem aos quatro policiais mortos durante a megaoperação contra o Comando Vermelho, realizada no Rio de Janeiro no último dia 28 de outubro — ação que resultou em mais de 120 mortes e reacendeu o debate sobre segurança pública no país.
O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), pediu um minuto de silêncio em memória dos agentes Marcos Vinícius Cardoso, Rodrigo Veloso, Cleiton Serafim e Éber Carvalho, mortos em combate. Em tom emocionado, o petista destacou as dificuldades enfrentadas pelos policiais brasileiros.
“Me dói quando vejo policiais mortos em confronto, porque fico imaginando aquela família. Às vezes você vê um soldado da PM que tem que conviver em um local de alto índice de vulnerabilidade social e criminalidade, ganhando um salário pífio, sem nenhuma condição — às vezes sem armamento, sem colete, sem nada”, declarou Contarato.
Ele estendeu a homenagem também aos agentes feridos que seguem internados, reforçando a importância de reconhecer o trabalho das forças de segurança.
A CPI foi instalada com a eleição de Fabiano Contarato para a presidência, Hamilton Mourão (Republicanos-RS) como vice-presidente e Alessandro Vieira (MDB-SE) na função de relator. A composição da comissão é considerada uma vitória da base governista, após articulações para evitar o controle da oposição — que chegou a lançar Mourão como candidato à presidência do colegiado.
Logo na primeira sessão, os senadores aprovaram uma série de requerimentos, incluindo convites aos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e José Múcio Monteiro (Defesa), que deverão prestar esclarecimentos sobre as políticas nacionais de segurança e o papel das Forças Armadas em operações conjuntas.
A CPI do Crime Organizado terá 180 dias de duração, prorrogáveis por igual período, e investigará a atuação de facções criminosas e milícias em todo o país. O colegiado deve se tornar palco de embates entre governo e oposição, especialmente diante das recentes críticas do presidente Lula à condução da operação no Rio — que ele classificou como “desastrosa”.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que a comissão poderá expor falhas graves na segurança pública nacional e colocar à prova o discurso do governo federal sobre o enfrentamento à criminalidade.


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