O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira (17) a destituição do presidente interino José Jerí, aprofundando a crise institucional que marca o c
O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira (17) a destituição do presidente interino José Jerí, aprofundando a crise institucional que marca o cenário político do país. Ele era o oitavo chefe de Estado em uma década.
A decisão ocorre a menos de dois meses das eleições gerais, marcadas para 12 de abril, em um ambiente de instabilidade e forte disputa eleitoral.
Votação e sucessão imediata
A moção de censura foi aprovada por maioria simples no Parlamento, que conta com 115 congressistas habilitados a votar. O mínimo necessário para a destituição era de 58 votos.
Com a saída de Jerí, o Congresso deve eleger ainda nesta quarta-feira (18), às 16h (horário de Brasília), um novo presidente do Legislativo, que assumirá interinamente o comando do país até o pleito.
Jerí havia assumido a Presidência em 10 de outubro do ano passado, após a destituição de Dina Boluarte, afastada por incapacidade para continuar no cargo.
Investigações
O agora ex-presidente interino era alvo de duas investigações relacionadas a suposto tráfico de influência. As apurações começaram após a revelação de um encontro reservado com um empresário e avançaram com denúncias de interferência em contratações governamentais.
Jerí nega qualquer irregularidade e afirmou ter condições morais para permanecer no cargo até as eleições. Ainda assim, sua popularidade caiu para 37%, segundo levantamentos recentes, ampliando a pressão política.
Do lado de fora do Congresso, manifestantes pediam sua saída, alegando má conduta no exercício da função.
Pressão eleitoral
A aprovação célere da moção também foi associada ao ambiente eleitoral, que já reúne mais de 30 candidatos à Presidência. Entre os nomes que pressionavam pela renúncia estava Rafael López Aliaga, do Renovação Popular.
No campo diplomático, o embaixador dos Estados Unidos em Lima, Bernie Navarro, defendeu a continuidade institucional, afirmando que a troca frequente de presidentes não é considerada normal em democracias consolidadas.
Instabilidade
A nova mudança no comando do Executivo reforça o ciclo de instabilidade política no Peru, que enfrenta sucessivas trocas de presidentes, disputas entre Legislativo e Executivo e desconfiança da população.
Com a eleição de um novo presidente interino prevista para esta quarta-feira, o país tenta reorganizar o cenário institucional enquanto se aproxima de uma das eleições mais fragmentadas de sua história recente.


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