O último debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), teve tensão também fora das câmeras. As equipes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ
O último debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), teve tensão também fora das câmeras. As equipes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Lula da Silva (PT) levaram convidados associados a episódios explorados durante a campanha, em uma disputa que envolveu provocações, reações da plateia e preparação estratégica dos candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Entre os convidados ligados à campanha de Flávio estava Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba (MG) e ex-mulher do deputado federal André Janones (Rede-MG). Ela possui uma medida protetiva contra o parlamentar após relatar ameaças envolvendo a divulgação de imagens íntimas. Janones, que estava entre os aliados de Lula, não compareceu ao debate.
A equipe do presidente, por sua vez, levou Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um disparo de arma de fogo em Niterói (RJ), em 2021. Flávio atuou na defesa do policial militar acusado pelo caso. Durante o debate, Lula mencionou a presença da mãe, e o senador, ao responder, confundiu o nome dela com o da criança. O episódio provocou reação na plateia.
Tarcísio orientou Flávio antes do confronto
Flávio chegou acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do irmão Carlos Bolsonaro e de integrantes da equipe de campanha. Entre os aliados presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e outros nomes ligados ao grupo político do senador.
No primeiro intervalo, Flávio conversou com o marqueteiro Duda Lima e com Tarcísio, que o ajudou na preparação para o confronto. A estratégia buscava combinar críticas ao governo com a apresentação de propostas, após avaliações negativas de aliados sobre o tom agressivo adotado pelo candidato em debate anterior.
O ex-coach Pablo Marçal e o deputado federal Nikolas Ferreira não compareceram. Marçal havia participado do encontro anterior, na Band, e sua atuação foi criticada por aliados que consideraram excessiva a agressividade do candidato. Nikolas, por sua vez, cumpria agenda de campanha em Fortaleza.
Lula chegou acompanhado da primeira-dama Janja e contou com o ministro Sidônio Palmeira, o senador Camilo Santana e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, entre os principais integrantes de sua equipe. Também estiveram presentes o ministro Guilherme Boulos, a ex-ministra Anielle Franco e familiares da vereadora Marielle Franco.
Provocações sobre chocolate e reação da plateia
Nos bastidores, aliados de Lula ironizaram uma declaração de Flávio sobre a inflação do chocolate. Marcelo Freixo fez uma provocação relacionada ao tema, em referência ao antigo caso envolvendo uma loja de chocolates ligada ao senador.
Em 2018, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentação considerada atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. O Ministério Público do Rio investigou suspeitas relacionadas ao caso, mas decisões judiciais, incluindo a anulação da quebra de sigilo pelo Superior Tribunal de Justiça em 2021, enfraqueceram a acusação, que acabou arquivada. O episódio não deve ser tratado como condenação definitiva do senador.
A plateia também reagiu à fala de Flávio sobre Lula “dar com uma mão e tirar com nove dedos”, referência à perda de um dedo do presidente em um acidente de trabalho. A declaração provocou risadas entre apoiadores do senador e protestos de integrantes do grupo petista. Durante o debate, Flávio pediu desculpas pela expressão.
O confronto na Globo foi o último entre os dois candidatos antes da votação de domingo. Além das propostas para o país, o encontro foi marcado por ataques pessoais.


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