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Bancada ligada ao MST reclama do governo e deputado do PT admite dificuldade para fazer campanha por Lula

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A base parlamentar ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltou a demonstrar insatisfação com o governo do presidente Lula d

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A base parlamentar ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltou a demonstrar insatisfação com o governo do presidente Lula da Silva (PT). Durante reunião realizada na Câmara dos Deputados, integrantes do chamado núcleo agrário do PT fizeram críticas à condução de políticas para o campo e chegaram a admitir dificuldades para defender o governo diante da própria base social.

O encontro contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT-SP), e reuniu parlamentares como João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA), Pedro Uczai (PT-SC) e Dionilso Marcon (PT-RS), todos historicamente ligados à pauta da reforma agrária.

“Está difícil fazer campanha para Lula”, diz deputado

Durante a reunião, o deputado Dionilso Marcon (PT-RS) fez críticas diretas à atuação do governo no campo e afirmou que o cenário tem dificultado a defesa política do presidente.

Segundo ele, setores historicamente alinhados ao PT, como quilombolas, pescadores e agricultores familiares, estariam frustrados com a falta de políticas mais efetivas.

“O povo está bravo com nós mesmos. Nós somos vaiados quando vamos falar. Fui vaiado na Feira da Agricultura Familiar em Sarandi”, afirmou o parlamentar.

Marcon também criticou a atuação do ministro da Pesca, André de Paula (PSD-PE), a quem acusou de agir politicamente contra o presidente.

“O ministro da Pesca é cabo eleitoral contra Lula. Além de não fazer nada, promete e não faz”, declarou.

Críticas a bancos e crédito rural

Outro alvo das reclamações foi o acesso ao crédito para pequenos produtores. Marcon afirmou que instituições financeiras estariam dificultando a liberação de recursos para a agricultura familiar.

Entre os citados pelo parlamentar estão o Banco do Brasil e o Sicredi.

“Está difícil fazer campanha para Lula na agricultura familiar. O Banco do Brasil é uma tragédia. A Sicredi é outra. É um comitê contra o governo federal”, disse.

Em nota, o Banco do Brasil afirmou que mantém diálogo constante com parlamentares e destacou crescimento na carteira de crédito para o setor.

Segundo a instituição, o financiamento para agronegócio e agricultura familiar alcançou R$ 406,1 bilhões, com aumento de 2,1% nos últimos 12 meses. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o saldo da carteira chegou a R$ 68,8 bilhões.

Debate sobre eleições de 2026

Apesar das críticas, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), destacou que o principal desafio político do partido será garantir a reeleição de Lula.

Segundo ele, a prioridade do grupo deve ser assegurar um quarto mandato presidencial para o petista.

“A grande tarefa para 2026, mais do que eleger deputados, senadores ou governadores, é reeleger o presidente Lula”, afirmou.

Nos bastidores, porém, parlamentares ligados ao movimento admitem que a tarefa pode ser mais complexa do que o esperado, diante da insatisfação crescente de segmentos tradicionais da base social do PT.

Autocrítica dentro da própria base petista

Outro deputado que participou do encontro, Fernando Mineiro (PT-RN), também apontou a necessidade de o partido ouvir mais os parlamentares e movimentos ligados à agricultura familiar.

Ele citou, por exemplo, a proposta de criação de uma comissão permanente da Agricultura Familiar na Câmara, apresentada por ele e que ainda não avançou na Casa.

Mineiro afirmou que a elaboração do plano de governo do PT precisa considerar críticas internas e sugestões vindas da base parlamentar.

Tensões recorrentes com o governo

As cobranças feitas durante a reunião não são inéditas. Desde o início do terceiro mandato de Lula, parlamentares ligados ao MST reclamam de baixo volume de recursos para reforma agrária e dificuldades de diálogo com ministros do próprio governo.

Em discussões anteriores, críticas também foram direcionadas aos ministros Rui Costa (PT-BA), da Casa Civil, e Alexandre Padilha (PT-SP), que à época comandava a Secretaria de Relações Institucionais.

A avaliação entre integrantes do núcleo agrário do PT é que, apesar da expectativa de retomada de políticas para o campo após o governo de Jair Bolsonaro (PL-RJ), parte da base ruralista ligada aos movimentos sociais segue insatisfeita com o ritmo das ações do governo federal.

A reunião, que ocorreu em caráter reservado na Câmara, expôs mais uma vez as tensões internas dentro da própria base do PT, especialmente entre parlamentares que mantêm ligação histórica com os movimentos sociais do campo.





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