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Aliado do “Careca do INSS” relata ter ouvido sobre “compromissos e valores” envolvendo Lulinha e lobista

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Mensagens anexadas a um inquérito da Polícia Federal trouxeram novos elementos para a investigação sobre a relação entre Fábio Luís Lula da Silva,

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Mensagens anexadas a um inquérito da Polícia Federal trouxeram novos elementos para a investigação sobre a relação entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo reportagem da Veja, um aliado de Antunes afirmou ter ouvido do empresário informações sobre “compromissos e valores” relacionados aos negócios mantidos com a lobista e pessoas próximas a ela.

O relato aparece em uma conversa de janeiro de 2025 entre Gustavo Gaspar, interlocutor de Roberta e também investigado no caso envolvendo descontos indevidos em aposentadorias, e a própria empresária.

Na mensagem, Gaspar afirma que Antunes teria contado a ele detalhes sobre os acordos envolvendo Roberta e Lulinha no mercado de medicamentos à base de canabidiol. Os diálogos, porém, não apresentam os valores que teriam sido negociados, e a PF também não aponta, nos trechos citados pela reportagem, comprovação de que esses pagamentos tenham sido efetivamente realizados.

Investigação mira possível influência no governo

A apuração busca esclarecer se Lulinha e Roberta atuaram para abrir portas no governo federal em favor de interesses empresariais ligados ao “Careca do INSS”.

De acordo com a PF, uma das frentes investigadas envolve tentativas de viabilizar negócios no setor de canabidiol junto ao Ministério da Saúde. A estratégia teria como objetivo superar obstáculos regulatórios e ampliar as possibilidades de comercialização de medicamentos derivados da cannabis.

Roberta, que mantinha proximidade pessoal com Lulinha, teria utilizado contatos políticos para tentar aproximar os interesses empresariais da estrutura do governo. Em uma conversa reproduzida pela Veja, a empresária afirmou que trabalhava a articulação política “via palácio”.

A investigação também identificou contatos e reuniões envolvendo representantes do grupo empresarial e integrantes do Ministério da Saúde. Reportagens anteriores apontaram que Roberta esteve na pasta em diferentes ocasiões para tratar de assuntos relacionados à cannabis medicinal.

Negócio de canabidiol poderia movimentar até R$ 1 bilhão

Um dos pontos que chamam a atenção dos investigadores é a dimensão econômica do projeto. Segundo as informações reunidas no inquérito, os negócios relacionados a medicamentos de cannabis poderiam alcançar aproximadamente R$ 1 bilhão.

O interesse de Antunes estaria relacionado à expansão do mercado de medicamentos à base de canabidiol e à possibilidade de fornecimento ao governo federal.

A PF tenta determinar qual teria sido exatamente o papel de cada envolvido e se houve utilização de relações pessoais e políticas para favorecer interesses privados.

Mensagens sobre pagamentos estão no centro da apuração

Em outro trecho das conversas, Gaspar reclama com Roberta sobre supostos pagamentos que não estaria recebendo. Ele também demonstra insatisfação por acreditar que estava sendo excluído dos negócios articulados com Antunes.

A frase atribuída a Gaspar sobre estar “na folha” do empresário passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores. Ainda assim, a expressão, isoladamente, não comprova a existência de pagamentos ilícitos nem demonstra que Lulinha tenha recebido valores.

A própria investigação procura justamente confirmar ou descartar essas hipóteses.

Defesa nega irregularidades

Roberta Luchsinger é investigada pela PF e sua defesa contesta as suspeitas. Em manifestação anterior, os advogados afirmaram que ela prestou serviços de consultoria relacionados ao mercado de canabidiol e negaram que tenha repassado valores a Lulinha.

A defesa também sustenta que os pagamentos recebidos de Antunes estavam relacionados à prestação de serviços e que a empresária não tinha conhecimento de eventual origem ilícita dos recursos.

Lulinha também nega irregularidades. As investigações, portanto, ainda buscam estabelecer se houve efetivamente pagamento, tráfico de influência ou qualquer outra conduta criminosa.

PF apura relação entre lobby e governo

O caso ganhou dimensão maior porque as mensagens analisadas pela PF relacionam as atividades da lobista a integrantes da administração federal. Em outro relatório, a corporação apontou suspeitas de que Roberta aparentava ter autorização para atuar em nome de Lulinha em determinadas tratativas. A defesa contesta essa interpretação.

A apuração está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e envolve diferentes frentes relacionadas ao esquema investigado no INSS.

O principal desafio dos investigadores é separar relações pessoais e contratos privados de eventual atuação destinada a influenciar decisões ou contratações públicas.

Por enquanto, os diálogos revelados reforçam as suspeitas investigadas, mas não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a existência de pagamentos ilícitos ou tráfico de influência. A PF ainda precisa confrontar as mensagens com documentos, movimentações financeiras, agendas e outros elementos de prova.





Fonte: Clique aqui

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