O centro de Bruxelas foi tomado nesta quinta-feira (18) por um grande protesto de agricultores europeus contra o acordo de livre comércio entre a U
O centro de Bruxelas foi tomado nesta quinta-feira (18) por um grande protesto de agricultores europeus contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A manifestação, que começou de forma organizada e pacífica, terminou em confronto com a polícia, uso de gás lacrimogêneo, incêndio em área próxima ao Parlamento Europeu e bloqueio total das principais vias da capital belga.
A mobilização ocorre no mesmo dia em que o Conselho da União Europeia se reúne para decidir sobre o futuro do acordo comercial, considerado estratégico por alguns governos e uma ameaça direta por produtores rurais do continente.
Tratores, fumaça e repressão policial
Agricultores de diversos países da União Europeia bloquearam ruas centrais de Bruxelas com tratores, paralisando completamente o trânsito. Cartazes com frases como “sem agricultores não há comida nem futuro” e “não ao Mercosul” foram espalhados pela cidade.
A situação saiu do controle quando um grupo mais radical incendiou uma praça próxima ao Parlamento Europeu, alvo simbólico do protesto. A fumaça se espalhou pela região e levou a uma ação imediata das forças de segurança, que dispersaram os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo.
Mesmo após a intervenção policial, os bloqueios continuaram, mantendo a cidade em estado de caos ao longo do dia.
Acordo divide governos europeus
O acordo UE-Mercosul aprofundou a divisão entre os países do bloco europeu. A Alemanha defende a aprovação imediata do tratado, argumentando que o pacto amplia mercados e fortalece a economia europeia. Já França, Itália, Irlanda e Polônia se posicionam de forma contundente contra o texto.
Ao chegar à reunião do Conselho Europeu, o presidente francês Emmanuel Macron foi direto ao afirmar que a França não está preparada para assinar o acordo, alinhando-se às reivindicações dos agricultores.
Protesto com apoio político
A manifestação reuniu produtores rurais de praticamente todos os países da União Europeia, com forte presença de agricultores franceses, que contam inclusive com respaldo político interno para tentar barrar o avanço do tratado.
Delegações da Itália, Polônia e Irlanda também participaram do ato, reforçando o caráter pan-europeu da resistência. O temor central é que a entrada de produtos agrícolas do Mercosul, especialmente do Brasil e da Argentina, gere concorrência considerada desleal, pressionando preços e inviabilizando pequenos e médios produtores europeus.
Pressão cresce no dia decisivo
Com ruas bloqueadas, confrontos e forte pressão política, a votação do acordo ocorre sob clima de tensão máxima. O protesto escancara o embate entre interesses comerciais, agendas ambientais e a sobrevivência do setor agrícola europeu, colocando líderes do bloco diante de uma decisão que pode redefinir o futuro da política comercial da União Europeia.


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