A reviravolta política em torno de Jair Bolsonaro (PL) ganhou novos contornos após a publicação, pelos Estados Unidos, de novas exceções ao tarifaç
A reviravolta política em torno de Jair Bolsonaro (PL) ganhou novos contornos após a publicação, pelos Estados Unidos, de novas exceções ao tarifaço imposto a produtos brasileiros. Tanto governistas quanto bolsonaristas avaliam que o gesto, visto como uma “despolitização” da pauta comercial, sinalizou o esgotamento da estratégia que buscava envolver Donald Trump para pressionar instituições brasileiras antes da iminente prisão do ex-presidente.
No Planalto, o recado foi considerado explícito: ao mencionar diretamente o presidente Lula no decreto que flexibilizou tarifas, o governo norte-americano deixou claro que não condiciona negociações à figura de Bolsonaro, contrariando expectativas do bolsonarismo de que Trump poderia intervir politicamente a seu favor. A lista de exceções incluiu itens sensíveis à inflação americana, como café e carne, mas surpreendeu ao incorporar produtos sem impacto significativo no consumo interno dos EUA, como açaí e frutas, um indicativo adicional de que Washington buscou esvaziar o componente político da pauta.
A leitura dentro do núcleo bolsonarista foi amarga. Para aliados, o anúncio das exceções, justamente dias antes da esperada ordem de prisão, representou um balde de água fria. Ficou evidente que a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos havia se esgotado sem entregar qualquer resultado concreto para seu pai. Pelo contrário: analistas próximos ao grupo reconhecem que o movimento apenas impulsionou a imagem internacional de Lula e intensificou a rejeição ao ex-presidente.
Nesse contexto de desgaste crescente, o apelo de Flávio Bolsonaro para que apoiadores realizassem uma vigília em defesa do pai, somado aos indícios de violação da tornozeleira eletrônica, foi interpretado como uma tentativa desesperada de criar pressão interna após o fracasso da ofensiva diplomática.
A convergência rara entre governo e oposição, ao reconhecer que Trump se afastou da equação bolsonarista, reforça a percepção de isolamento político do ex-presidente no momento mais delicado de sua trajetória. Enquanto os Estados Unidos sinalizam neutralidade nas relações com Brasília, o clã Bolsonaro enfrenta o próprio limite de sua estratégia internacional, um limite que agora se entrelaça diretamente com o avanço das medidas judiciais contra seu líder.


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