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Ciro Gomes afirma que sanções dos EUA contra PCC e CV podem atingir empresas e colaboradores das facções

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A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas continua repercutindo no cenário político

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A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas continua repercutindo no cenário político brasileiro. Neste contexto, o ex-ministro e pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes, afirmou que a medida poderá resultar em sanções financeiras contra pessoas e empresas que mantenham vínculos com as facções criminosas, sem que isso represente qualquer tipo de intervenção militar norte-americana no Brasil.

Durante entrevista a jornalistas, Ciro avaliou que o principal impacto da decisão americana deve ocorrer no sistema financeiro internacional. Segundo ele, os Estados Unidos possuem instrumentos legais para rastrear operações financeiras ligadas ao crime organizado e aplicar restrições a envolvidos com atividades ilícitas. O ex-governador destacou que não acredita em qualquer ação militar decorrente da classificação, mas vê possibilidade de congelamento de ativos e dificuldades para operações comerciais e bancárias de pessoas ou empresas eventualmente associadas às organizações criminosas.

O pré-candidato também responsabilizou governos anteriores pelo fortalecimento das facções no país. Em suas declarações, ele criticou a falta de avanços institucionais no enfrentamento ao crime organizado nas últimas décadas e afirmou que a expansão dessas organizações abriu espaço para a adoção de medidas por parte de governos estrangeiros.

Governo dos EUA descarta impacto sobre Pix e intervenção militar

A repercussão da medida levou autoridades americanas a esclarecerem o alcance das sanções. Segundo Amanda Roberson, porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, as restrições serão direcionadas exclusivamente a indivíduos e entidades que forneçam apoio material às facções classificadas como terroristas.

A representante também descartou qualquer possibilidade de intervenção militar em território brasileiro relacionada à nova classificação. De acordo com o governo americano, as medidas previstas concentram-se em bloqueios de ativos, restrições financeiras e limitações de vistos, sem autorização para ações militares.

Leis americanas servirão de base para punições

Para implementar as sanções, o governo do presidente Donald Trump poderá utilizar instrumentos jurídicos já existentes na legislação norte-americana.

Entre eles está a Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act (RICO), utilizada no combate a organizações criminosas envolvidas em lavagem de dinheiro, corrupção, extorsão e tráfico de drogas. Outra ferramenta é a Foreign Narcotics Kingpin Designation Act, conhecida como Kingpin Act, voltada ao enfrentamento do narcotráfico internacional e que permite bloqueio de bens, restrições bancárias e impedimento de transações financeiras envolvendo investigados.

Debate divide autoridades brasileiras

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas gerou reações divergentes no Brasil. Enquanto setores da oposição apoiaram a medida, integrantes do governo federal manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e as relações diplomáticas entre os dois países.

Especialistas em segurança pública ouvidos por diferentes veículos de comunicação avaliam que a decisão pode ampliar mecanismos de cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro e ao crime transnacional, embora a investigação e repressão das facções dentro do território brasileiro continuem sendo responsabilidade das autoridades nacionais.

Com a medida já em vigor nos Estados Unidos, o debate sobre seus efeitos econômicos, jurídicos e diplomáticos deve permanecer no centro das discussões políticas e de segurança pública nos próximos meses.





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