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Fugas, passaportes falsos e evasão internacional expõem reação de aliados de Bolsonaro à Justiça

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A prisão do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, detido no Paraguai ao tentar deixar o país com documento irregular, es

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A prisão do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, detido no Paraguai ao tentar deixar o país com documento irregular, escancarou um padrão que vem se repetindo entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Diante do avanço das investigações, condenações e medidas cautelares impostas pelo Judiciário, nomes centrais do bolsonarismo passaram a recorrer à fuga como estratégia para driblar decisões judiciais.

Condenado a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na trama golpista, Silvinei rompeu a tornozeleira eletrônica e tentou embarcar para El Salvador poucos dias após a sentença. A tentativa fracassada terminou com sua prisão em Assunção e reforçou, nos bastidores do sistema de Justiça, a avaliação de que a evasão passou a integrar o repertório de reação do grupo político ligado ao ex-presidente.

O caso se soma ao do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos mesmo proibido judicialmente de viajar ao exterior. Após a saída do país, o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva. Ramagem permanece em Orlando, na Flórida, fora do alcance imediato das autoridades brasileiras.

Antes dele, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) também deixou o país depois de ser condenada a dez anos de prisão por falsidade ideológica e invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça. Localizada na Itália, acabou presa após inclusão na lista vermelha da Interpol e aguarda extradição para o Brasil.

No núcleo familiar do ex-presidente, a situação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também entrou no radar das investigações. Ele está nos Estados Unidos desde fevereiro e, em diferentes ocasiões, não chegou a ser formalmente intimado em apurações em curso no Brasil. A permanência prolongada no exterior e a dificuldade de notificação passaram a constar em registros processuais. Atualmente, Eduardo é réu no Supremo Tribunal Federal por coação, sob acusação de tentar articular sanções contra autoridades brasileiras enquanto estava fora do país.

Os três parlamentares tiveram seus mandatos cassados pela Câmara dos Deputados em dezembro, aprofundando o isolamento político do grupo.

O movimento de fuga não se restringe a lideranças com mandato. Investigados e condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro também utilizaram rotas alternativas para deixar o país, sobretudo por vias terrestres e fluviais, com destino a países vizinhos, especialmente a Argentina. Esses deslocamentos resultaram em pedidos de extradição e reforçaram a percepção de que há uma tentativa sistemática de frustrar o cumprimento das decisões judiciais.

Em despachos recentes, Alexandre de Moraes tem citado reiteradamente o risco de evasão para justificar prisões preventivas e o endurecimento de medidas cautelares, mencionando saídas do país, violação de tornozeleiras eletrônicas e tentativas de obstrução da Justiça. Em uma dessas decisões, o ministro apontou indícios de um padrão de atuação coordenada, com apoio externo, para viabilizar fugas ao exterior.

O próprio Jair Bolsonaro chegou a ser acusado de tentar soldar a tornozeleira eletrônica quando cumpria prisão domiciliar. Moraes classificou o episódio como tentativa de fuga, enquanto a defesa alegou que o ato ocorreu durante um surto. O episódio, somado aos demais, alimenta a avaliação de que o cerco judicial ao bolsonarismo produziu uma reação marcada pela evasão, e não pelo enfrentamento nos autos.





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