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Terras-raras ficam mais caras fora da China e expõem dependência global

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O preço das terras-raras disparou nos mercados fora da China, evidenciando o impacto dos controles de exportação adotados por Pequim sobre o abaste

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O preço das terras-raras disparou nos mercados fora da China, evidenciando o impacto dos controles de exportação adotados por Pequim sobre o abastecimento global. Segundo dados apresentados no fórum da Project Blue, realizado em Londres em 20 de outubro, o óxido de disprósio chegou a US$ 4.500 por quilo em armazéns de Roterdã, na Holanda, em 15 de outubro de 2026. Na China, a cotação FOB, referente ao produto embarcado para exportação, era de US$ 1.265 por quilo.

A diferença reflete a dificuldade de acesso a esses materiais, utilizados na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa. Em abril de 2025, a China retomou a exigência de licenças para exportar sete terras-raras, incluindo disprósio e térbio, em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos.

China mantém domínio sobre etapas estratégicas

Embora a dependência internacional da mineração chinesa tenha diminuído em relação a 2010, o país continua concentrando etapas decisivas da cadeia produtiva. De acordo com os dados apresentados no fórum, a China responde por cerca de 69% da mineração global de terras-raras, enquanto mantém 84% do refino destinado à produção de ímãs.

A estratégia chinesa também privilegia a exportação de produtos industrializados, em vez de matérias-primas. Entre 2024 e 2026, segundo os dados apresentados pela análise, as exportações de ímãs permanentes cresceram, enquanto os embarques de disprósio e térbio recuaram. Esse movimento permite que Pequim preserve maior participação nas etapas de maior valor agregado.

O controle do setor foi construído ao longo de mais de duas décadas, com consolidação empresarial, participação estatal e regras de rastreabilidade. Por isso, analistas avaliam que uma volta completa ao cenário anterior às restrições é improvável, embora a China possa flexibilizar medidas específicas conforme seus interesses comerciais.

Inteligência artificial e defesa ampliam a demanda

O fórum também apontou a inteligência artificial, os centros de processamento de dados, a eletrificação e a indústria de defesa como fatores que ampliam a procura por minerais estratégicos. Além das terras-raras, cobre, tungstênio, titânio, alumínio e ligas de níquel e cobalto ganham importância para a expansão tecnológica e a segurança energética.

Diante dos riscos de abastecimento, Estados Unidos e países europeus buscam incentivar projetos de mineração, processamento e reciclagem fora da China. No caso do cobre, o evento identificou investimentos privados e governamentais para ampliar a capacidade produtiva, embora a entrada de novos projetos ainda dependa de prazos longos e de condições econômicas favoráveis.

Brasil pode ganhar espaço no mercado

O Brasil aparece como uma alternativa para a diversificação das cadeias internacionais. O país possui reservas expressivas de terras-raras e projetos relacionados a minerais como lítio, grafita, nióbio e cobre. Segundo análise regional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras-raras, mas a indústria nacional ainda precisa avançar na produção em escala comercial e no processamento desses materiais.

A mudança no mercado abre oportunidades para atrair investimentos e ampliar a participação brasileira na cadeia global. Para transformar esse potencial em ganhos econômicos, porém, será necessário desenvolver capacidade de processamento, infraestrutura e tecnologia, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas.





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