A reunião realizada nesta semana em Salvador pelo governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT), ao lado dos candidatos ao Senado Rui
A reunião realizada nesta semana em Salvador pelo governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT), ao lado dos candidatos ao Senado Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), foi apresentada publicamente como um encontro para alinhar estratégias eleitorais e reforçar a unidade da base governista. Nos bastidores, porém, o encontro teria provocado desconforto entre parte dos prefeitos presentes.
Segundo reportagem do Correio, gestores ouvidos após a reunião relataram cobranças para que os municípios ampliem a divulgação das ações do governo estadual, mobilizem suas bases políticas e participem mais diretamente da campanha. Ao mesmo tempo, prefeitos afirmaram enfrentar dificuldades com compromissos assumidos pelo Palácio de Ondina que ainda não teriam sido cumpridos.
A reunião ocorreu na quarta-feira (19), em um hotel de Salvador, e contou oficialmente com mais de 300 prefeitos aliados, segundo o governo. A agenda teve a participação de Jerônimo, Rui, Wagner, Otto Alencar (PSD), Geraldo Júnior (MDB) e integrantes da coordenação eleitoral.
Prefeitos reclamam de obras e convênios
De acordo com os relatos publicados pelo Correio, uma das principais queixas entre os gestores está relacionada à falta de liberação de recursos para obras e convênios. Alguns prefeitos afirmam que demandas consideradas de menor valor também permanecem pendentes.
Nesse cenário, a cobrança por maior mobilização eleitoral teria causado irritação entre gestores que esperavam, em contrapartida, avanços nas demandas apresentadas ao governo estadual.
A avaliação de parte dos prefeitos, segundo a publicação, é de que existe uma distância entre as cobranças políticas feitas pela base governista e a entrega de obras e recursos nos municípios.
Número de prefeitos presentes gera divergência
Outro ponto que provocou questionamentos foi o número de participantes divulgado pelo governo estadual.
A comunicação oficial informou que mais de 360 prefeitos participaram do encontro. No entanto, relatos de gestores ouvidos pelo Correio apontaram estimativas inferiores, entre 130 e 150 prefeitos. Outros participantes calcularam cerca de 200 pessoas, destacando que nem todos os presentes seriam chefes de Executivos municipais.
Outros veículos também registraram a presença de mais de 300 prefeitos ou gestores municipais. O Política Livre informou que o encontro reuniu mais de 300 prefeitos aliados, enquanto o senador Otto Alencar afirmou ter levado aproximadamente 100 prefeitos do PSD para a agenda.
A divergência, portanto, está principalmente na forma de contabilização dos participantes, já que a base governista considera o encontro uma demonstração de força política nos 27 territórios de identidade da Bahia.
Governistas querem transformar prefeitos em força eleitoral
Durante o encontro, a orientação pública foi de intensificar a mobilização nos municípios. Jerônimo afirmou que o objetivo era construir estratégias para os próximos quatro anos e destacou a necessidade de projetos estruturados para integrar ações municipais, estaduais e federais.
Jaques Wagner também convocou os prefeitos a ampliarem a votação do presidente Lula da Silva (PT) na Bahia, citando investimentos do governo federal no estado como argumento para fortalecer a aliança política.
A movimentação mostra o peso atribuído aos prefeitos na estratégia eleitoral da chapa governista. A Bahia possui 417 municípios, e a capacidade dos gestores de mobilizar vereadores, lideranças comunitárias e eleitores é considerada estratégica para a disputa pelo Palácio de Ondina.
Parte da base mantém apoio formal, mas libera aliados
Segundo o Correio, alguns prefeitos aliados de Jerônimo teriam procurado integrantes da equipe de ACM Neto (União Brasil) para sinalizar, de maneira reservada, interesse em permitir que aliados locais façam campanha pela oposição.
A publicação relata que parte desses gestores pretende manter formalmente o apoio ao governo estadual, mas poderia liberar suas bases para atuar em favor de uma mudança política na Bahia.
Os relatos são atribuídos a prefeitos ouvidos informalmente.


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