O presidente Lula da Silva (PT) chega à convenção nacional do partido neste domingo (2) como favorito na disputa pela reeleição, mesmo em um cenári
O presidente Lula da Silva (PT) chega à convenção nacional do partido neste domingo (2) como favorito na disputa pela reeleição, mesmo em um cenário marcado por desgaste administrativo e pela percepção de parte do eleitorado de que não merece um novo mandato. Essa é a principal conclusão da análise da jornalista Roseann Kennedy, publicada no Estadão.
Segundo a análise, Lula conseguiu recuperar espaço nas pesquisas de intenção de voto ao longo dos últimos meses ao explorar erros cometidos por seus principais adversários, especialmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto cita episódios que desgastaram o parlamentar, como questionamentos envolvendo recursos solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro, a associação política com o presidente norte-americano Donald Trump durante a escalada das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e conflitos familiares que ganharam repercussão pública.
Ainda conforme Roseann Kennedy, o Palácio do Planalto enfrentou dificuldades para apresentar uma marca forte de governo. Promessas que tiveram peso na campanha de 2022, como a redução do custo de vida e a popularização da chamada “picanha na mesa do brasileiro”, perderam força diante da alta dos preços dos alimentos, especialmente das carnes.
A análise também destaca que o governo recorreu à retomada de propostas antigas e ao relançamento de programas já conhecidos, entre eles novas versões do Desenrola e a defesa da criação do Ministério da Segurança Pública. Também é citado o apoio recente à Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, tema que já tramitava no Congresso Nacional antes de ganhar protagonismo na agenda do Executivo.
Outro ponto abordado é o recuo do governo em medidas de forte rejeição popular, como a tributação de compras internacionais, conhecida como “taxa das blusinhas”, movimento interpretado como tentativa de reduzir o desgaste político.
No campo das investigações, a análise menciona que casos de corrupção voltaram a pressionar o ambiente político do governo. Entre eles, aparecem os desdobramentos do caso Banco Master, que alcançaram o senador Jaques Wagner (PT-BA), e a investigação relacionada ao INSS que chegou ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Apesar da vantagem nas pesquisas, a avaliação ressalta que Lula não enfrenta um cenário de vitória consolidada. Segundo Roseann Kennedy, o presidente chega fortalecido politicamente, mas continua recorrendo a discursos e estratégias já utilizados em eleições anteriores, enquanto a disputa permanece aberta.
A análise conclui que a eleição presidencial poderá representar a fase final do ciclo político do lulismo no Brasil, independentemente do resultado das urnas.


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