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‘Aluno não precisa saber seno e cosseno, mas precisa ler e escrever muito bem’, dispara Jair Ribeiro

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O debate sobre os rumos da educação brasileira ganhou destaque durante a série de eventos Brasil Adiante, promovida pelo jornal O Estado de S. Paul

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O debate sobre os rumos da educação brasileira ganhou destaque durante a série de eventos Brasil Adiante, promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Na ocasião, o fundador e presidente da organização Parceiros da Educação, Jair Ribeiro, defendeu uma reformulação das prioridades do currículo escolar brasileiro, com foco no fortalecimento das competências fundamentais de leitura, escrita e matemática.

Segundo Ribeiro, o Ministério da Educação (MEC) deveria concentrar esforços na recuperação da aprendizagem e no desenvolvimento das habilidades consideradas essenciais para a inserção dos jovens no mercado de trabalho, especialmente diante do avanço da inteligência artificial.

Ao abordar os desafios educacionais do país, o especialista afirmou que conteúdos mais complexos, como trigonometria avançada e equações polinomiais, não deveriam ocupar espaço prioritário em detrimento das competências básicas. Para ele, a capacidade de interpretação de texto, comunicação e raciocínio matemático será determinante para que os estudantes consigam utilizar ferramentas de inteligência artificial de forma produtiva.

Os dados mais recentes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) reforçam a preocupação. Levantamento divulgado pelo movimento Todos Pela Educação, com base nos resultados de 2023, aponta que apenas 34% dos estudantes do 3º ano do ensino médio da rede pública atingiram o nível adequado de aprendizagem em Língua Portuguesa. Em Matemática, o índice foi ainda menor, alcançando apenas 5% dos alunos.

Diante desse cenário, Jair Ribeiro defende que o próximo governo federal estabeleça uma política nacional voltada para a recuperação das defasagens educacionais. Na avaliação dele, cerca de 70% dos estudantes que chegam aos anos finais da educação básica apresentam desempenho abaixo do nível considerado adequado.

Entre as propostas apresentadas, está a revisão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Segundo o dirigente, o documento atual contempla uma grande quantidade de conteúdos, mas não aprofunda suficientemente as competências fundamentais. Para ele, o Brasil deveria seguir a tendência observada em diversos países que vêm priorizando habilidades essenciais nos currículos escolares.

Outra medida considerada estratégica é a ampliação do ensino em tempo integral. Ribeiro citou a experiência de Pernambuco como referência nacional e argumentou que escolas com jornada ampliada apresentam melhores resultados de aprendizagem quando comparadas ao modelo tradicional.

O especialista também defendeu a criação de um programa nacional robusto de recomposição da aprendizagem, com ações voltadas para estudantes que ficaram abaixo do nível esperado. Segundo ele, estados como São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás já desenvolvem iniciativas com resultados positivos nesse campo.

Ao comentar o papel do MEC, Ribeiro destacou que a pasta atua como indutora das políticas educacionais executadas por estados e municípios. Por isso, defende que o governo federal concentre recursos e apoio técnico em programas com evidências de eficácia comprovada.

Nesse contexto, ele também fez críticas à priorização orçamentária do programa Pé-de-Meia, criado pelo governo federal para incentivar a permanência de estudantes no ensino médio. Na avaliação do dirigente, parte dos recursos destinados ao programa poderia ser direcionada para ações voltadas à recomposição da aprendizagem e à expansão do ensino integral.

A inteligência artificial também apareceu como tema central da discussão. Para Jair Ribeiro, a tecnologia pode funcionar como um instrumento de redução das desigualdades educacionais e profissionais, desde que os estudantes possuam domínio adequado da leitura, da escrita e dos conceitos matemáticos básicos.

Segundo ele, o principal desafio não é ensinar programação avançada para todos os alunos, mas garantir que os jovens saibam interpretar informações, formular perguntas e utilizar corretamente as ferramentas digitais que já fazem parte da nova realidade do mercado de trabalho.

As propostas apresentadas durante o Brasil Adiante integram uma série de debates que pretende reunir sugestões para os principais desafios nacionais. Ao final do ciclo de encontros, o documento consolidado será entregue ao presidente eleito, com recomendações para áreas estratégicas como educação, economia, infraestrutura e desenvolvimento social.





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