Em Simões Filho, a política continua provando que, às vezes, a realidade disputa espaço com o teatro. Na última sessão da Câmara Municipal, a vere
Em Simões Filho, a política continua provando que, às vezes, a realidade disputa espaço com o teatro. Na última sessão da Câmara Municipal, a vereadora Andreia Almeida esquentou o clima, as palavras ganharam peso e a tribuna virou palco de uma apresentação carregada de emoção, indignação e frases de efeito.
A vereadora subiu o tom, vestiu a armadura de guerreira e rugiu como leoa diante dos colegas parlamentares. Até aí, faz parte do jogo político. O problema é que, nos bastidores da velha política, o povo continua fazendo a mesma pergunta de sempre: onde termina o discurso de fantasia e maquiagem e onde começa a prática?
Porque enquanto a Câmara pega fogo com embates, desafios e demonstrações de força, a população parece continuar esperando debates sobre problemas mais terrenos: saúde, transporte, educação, infraestrutura e políticas públicas que saiam do papel e cheguem à vida real os escândalos envolvendo a gestão do ex prefeito Diógenes e o atual Del com denúncias sobre supostos desvios de dinheiro público continuam chegando ao MP, TCM e outros órgãos de controle.
Nas esquinas da cidade, a velha Rádio Peão já começou sua própria transmissão imaginária:
— “Será que Dinha entregou um roteiro?”
— “Quem escreveu o capítulo de hoje foi o gabinete do ódio?”
— “E o povo, quando entra na história?”
A pergunta que ecoa não é sobre quem falou mais alto, quem respondeu melhor ou quem lançou o maior desafio. A pergunta é outra: a política está servindo ao povo ou o povo está servindo de plateia?
Porque no fim das contas, entre lágrimas, discursos inflamados, aplausos e olhares atravessados, quem continua esperando o próximo capítulo é o cidadão que paga a conta.


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