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Vinícolas portuguesas aceleram práticas sustentáveis e reduzem consumo de água e energia

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As vinícolas portuguesas têm ampliado investimentos em sustentabilidade diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas e das exigências do

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As vinícolas portuguesas têm ampliado investimentos em sustentabilidade diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas e das exigências do mercado internacional. No Alentejo, uma das principais regiões produtoras de vinho de Portugal, produtores já conseguiram reduzir em até 65% o uso de água e mais de 50% do consumo de energia através de programas de eficiência ambiental e inovação no campo.

A transformação envolve desde o manejo do solo até a modernização das embalagens utilizadas na comercialização dos vinhos. A estratégia inclui redução de insumos químicos, reaproveitamento de resíduos, adoção de energia solar e utilização de garrafas mais leves, diminuindo impactos ambientais e custos logísticos.

Um dos exemplos é a Adega Cartuxa, da Fundação Eugénio Almeida, que vem ampliando práticas sustentáveis em suas vinhas no Alentejo. Segundo o coordenador-geral e enólogo Duarte Lopes, o cenário de seca extrema e altas temperaturas obrigou os produtores da região a adotarem soluções técnicas voltadas à adaptação climática.

Entre as medidas implementadas estão sistemas de rega subterrânea para economia de água e manutenção da vegetação no solo durante todo o ano, favorecendo a fertilidade da terra e a retenção de matéria orgânica. Atualmente, a Fundação Eugénio Almeida possui cerca de 500 hectares de vinhas, sendo aproximadamente 200 hectares em processo de conversão para produção orgânica.

Além do manejo agrícola, a vinícola também investe em economia circular. Componentes de rótulos e rolhas danificadas são reaproveitados em parceria com fornecedores, enquanto resíduos das videiras passam por estudos voltados à produção de gás e até de farinha alimentar.

Outra referência no setor é a Herdade do Esporão, que também ampliou o reaproveitamento de resíduos orgânicos e reduziu significativamente o uso de fertilizantes químicos e inseticidas. Segundo o diretor agrícola Rui Flores, as mudanças permitiram dobrar a quantidade de matéria orgânica no solo nos últimos 15 anos.

A sustentabilidade na viticultura portuguesa tem sido coordenada, em grande parte, pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), responsável por um programa criado em 2015 para incentivar práticas ambientais no setor. Mais de um terço dos produtores da região aderiu à iniciativa.

Segundo João Barroso, diretor de desenvolvimento sustentável da CVRA, muitas vinícolas já utilizam energia solar para atender entre 20% e 80% de suas necessidades energéticas. Ele destaca ainda a redução do peso das garrafas como uma das prioridades ambientais do setor.

Enquanto garrafas premium no mercado internacional pesam entre 600 e 700 gramas, a média das garrafas produzidas no Alentejo já caiu para cerca de 420 gramas. A expectativa é lançar ainda neste ano uma nova embalagem com aproximadamente 320 gramas.

No norte de Portugal, produtores do Douro também avançam no mesmo caminho. A associação Lavradores de Feitoria, que reúne produtores de diferentes sub-regiões, afirma que as práticas sustentáveis se tornaram fundamentais principalmente para atender mercados internacionais mais rigorosos, como Canadá, Suécia, Noruega e Finlândia.

De acordo com o CEO da associação, Filipe Caetano, alguns desses mercados já exigem a utilização de garrafas mais leves e processos produtivos ambientalmente responsáveis como condição para importação.

As experiências sustentáveis do setor vinícola português serão apresentadas durante o festival Vinhos de Portugal 2026, que acontece entre os dias 28 e 30 de maio, em São Paulo, e de 5 a 7 de junho, no Rio de Janeiro. O evento contará com degustações, debates e encontros voltados ao futuro sustentável da produção vinícola.





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