A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prepara uma ofensiva empresarial e diplomática aos Estados Unidos em março, aproveitando a visita oficia
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prepara uma ofensiva empresarial e diplomática aos Estados Unidos em março, aproveitando a visita oficial do presidente Lula da Silva (PT), com o objetivo de reduzir os impactos do tarifaço imposto a produtos industrializados brasileiros. A iniciativa busca reverter a taxação extra que ainda pesa sobre setores estratégicos, como máquinas, madeira e móveis.
A estratégia da entidade é levar uma comitiva de empresários para reuniões com representantes do governo norte-americano e lideranças do setor produtivo local. A meta é mostrar que, apesar do alívio concedido no fim do ano passado a itens do agronegócio, parte relevante da indústria nacional segue penalizada pelas tarifas adicionais.
Indústria tenta espaço em negociação política
A movimentação ocorre em meio à tentativa do governo brasileiro de ampliar o diálogo direto com Washington. Nesta semana, Lula afirmou que pretende ter uma conversa “olho no olho” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sinalizou disposição para tratar de parcerias estratégicas, inclusive na exploração de minerais críticos.
Nos bastidores, a CNI avalia que a presença de empresários durante a visita presidencial pode reforçar o peso político das negociações e acelerar uma revisão das medidas que ainda afetam produtos de maior valor agregado.
Evento em Nova York amplia articulação
Além da missão de março, a confederação já agenda um novo passo na aproximação bilateral. Em maio, a entidade promoverá, em Nova York, o evento “Dia da Indústria do Brasil e EUA”, voltado ao fortalecimento das relações comerciais e empresariais entre os dois países. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) confirmou presença após convite do presidente da CNI, Ricardo Alban.
Segundo Alban, a entidade mantém atuação conjunta com o governo para reduzir os efeitos do tarifaço de forma ampla. “Pretendemos criar cada vez mais essa intercessão da relação comercial e empresarial entre Brasil e Estados Unidos. Continuamos trabalhando para que os impactos sejam mitigados em toda a sua extensão”, afirmou.
Tarifaço segue pressionando produtos industrializados
Em novembro, o governo americano recuou parcialmente e retirou tarifas adicionais de produtos do agronegócio, como carne bovina, café e cacau. No entanto, itens industrializados seguem sob taxação extra, atingindo setores como máquinas, motores, calçados e móveis, considerados estratégicos para a indústria brasileira.
Para a CNI, a manutenção dessas tarifas distorce a relação comercial entre os países e compromete a competitividade do produto nacional. A missão empresarial e os encontros previstos fazem parte de uma tentativa de reequilibrar o jogo e recolocar a indústria brasileira no centro das negociações com os Estados Unidos.


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