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Delegados da PF cobram Lula por mais recursos e alertam para risco no combate ao crime organizado

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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) enviou uma carta aberta ao presidente Lula da Silva (PT) cobrando medidas urgentes pa

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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) enviou uma carta aberta ao presidente Lula da Silva (PT) cobrando medidas urgentes para fortalecer a Polícia Federal e garantir condições efetivas de enfrentamento ao crime organizado. O documento expõe dificuldades estruturais da carreira, alerta para a evasão de profissionais altamente qualificados e propõe a criação de um fundo nacional com recursos permanentes para a área.

Segundo a entidade, a Polícia Federal vem acumulando novas atribuições legais e operacionais sem a devida recomposição orçamentária, cenário que, somado à ausência de garantias institucionais e à desvalorização da carreira, ameaça a eficiência e a independência técnica da instituição no médio e longo prazo.

Evasão e perda de atratividade da carreira

A ADPF destaca que a carreira de Delegado de Polícia Federal enfrenta uma perda preocupante de atratividade, sobretudo quando comparada a outras carreiras jurídicas de complexidade semelhante. Nos últimos três anos, enquanto 104 novos delegados ingressaram na instituição, 50 deixaram o cargo para assumir outras funções públicas, evidenciando um movimento de evasão que compromete a continuidade e a memória institucional.

Outro dado citado no documento reforça o alerta: o número de inscritos em concursos da Polícia Federal caiu cerca de um terço nos últimos anos, indicando desinteresse crescente por uma carreira historicamente disputada.

Para a associação, não é razoável que autoridades responsáveis por liderar investigações contra as mais graves ameaças à República atuem em posição de desvantagem institucional dentro do próprio Executivo.

Resultados expressivos sob risco

Apesar das dificuldades, a carta ressalta os resultados alcançados pela Polícia Federal nos últimos anos. Apenas em 2024 e 2025, a instituição recuperou mais de R$ 16 bilhões em bens e valores oriundos do crime organizado, além de milhares de prisões, operações de grande porte e ampliação da atuação em fronteiras, na Amazônia Legal e no combate a crimes cibernéticos.

A associação também destaca o prestígio internacional da corporação, simbolizado pela presidência da Interpol exercida, pela primeira vez, por um delegado brasileiro.

Proposta de fundo nacional

Como resposta estrutural ao problema, a ADPF defende a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), proposta já apresentada ao Ministério da Justiça. A iniciativa prevê a destinação permanente de recursos oriundos da própria descapitalização do crime organizado, com bens apreendidos e confiscados revertidos para o fortalecimento da Polícia Federal.

O fundo também permitiria investimentos contínuos em tecnologia, inteligência, unidades especializadas e valorização do capital humano, além de mecanismos de reconhecimento por desempenho, como a Gratificação de Eficiência Institucional.

Cobrança direta ao Planalto

Ao final da carta, a associação faz um apelo direto ao presidente Lula para que o projeto de lei do FUNCOC seja enviado imediatamente ao Congresso Nacional, considerando os prazos impostos pelo calendário eleitoral.

Para os delegados, a medida representaria um legado duradouro do governo e um recado claro à sociedade: o produto do crime será utilizado no combate ao próprio crime, fortalecendo as instituições responsáveis por proteger o Estado e a população.





Fonte: Clique aqui

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