O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas à atuação da Polícia Federal ao apontar demora e falta de empenho no cumpr
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas à atuação da Polícia Federal ao apontar demora e falta de empenho no cumprimento de medidas cautelares determinadas no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, familiares e empresários ligados ao grupo.
Em decisão recente, Toffoli afirmou que as ordens judiciais foram expedidas dentro de um cronograma claro, com prazo de 24 horas para cumprimento a partir do dia 12 de janeiro, o que não teria sido respeitado. A operação, no entanto, só foi deflagrada nesta quarta-feira (14), dias após o limite estabelecido pelo relator.
Segundo o ministro, a inércia da Polícia Federal pode ter comprometido a eficácia das medidas e permitido que investigados descaracterizassem provas consideradas essenciais para o avanço das apurações. Toffoli destacou que a corporação teve tempo suficiente para planejar a ação e que eventuais prejuízos à investigação serão de responsabilidade exclusiva da PF.
Os mandados de busca e apreensão atingiram endereços ligados a Vorcaro em São Paulo, incluindo imóveis em áreas nobres da capital, além de alvos nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Entre os investigados estão parentes do banqueiro, como o pai, a irmã e o cunhado, além do empresário Nelson Tanure e do investidor João Carlos Mansur.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu celulares, documentos, veículos e itens de luxo. O celular de Vorcaro foi recolhido, assim como o de Nelson Tanure, localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo doméstico. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido no aeroporto quando tentava viajar para Dubai, mas foi liberado após os procedimentos da operação.
Toffoli determinou que todo o material apreendido seja lacrado e enviado diretamente ao Supremo Tribunal Federal. Na decisão, o ministro reforçou que a demora no cumprimento das ordens pode ter facilitado a ocultação de provas e prejudicado o esclarecimento dos fatos.
A nova fase da Compliance Zero foi autorizada após a identificação de supostos novos ilícitos, envolvendo captação irregular de recursos, aplicações em fundos e desvio de valores para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens que superam R$ 5,7 bilhões.
O caso do Banco Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. A instituição foi colocada em liquidação extrajudicial após suspeitas de fraudes em operações bilionárias envolvendo a venda de carteiras de crédito. A investigação tramita sob sigilo no STF, por determinação do próprio Toffoli, que assumiu a relatoria do caso no fim do ano passado.


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