Ao celebrar o Globo de Ouro, pré-candidato ao governo usa fala do próprio Wagner Moura para questionar o esvaziamento dos incentivos culturais na B
Ao celebrar o Globo de Ouro, pré-candidato ao governo usa fala do próprio Wagner Moura para questionar o esvaziamento dos incentivos culturais na Bahia
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), saiu na frente no debate político ao transformar a premiação internacional do ator Wagner Moura em um gesto calculado de afirmação política. Em publicação nas redes sociais, Neto celebrou o Globo de Ouro conquistado pelo artista e associou o reconhecimento à identidade cultural baiana, reforçando um discurso que dialoga diretamente com críticas ao atual modelo de gestão do estado.
Na postagem publicada em seu perfil no Instagram, ACM Neto exaltou o talento do ator e o simbolismo da conquista. “É a Bahia!!! O baiano tem o molho! Parabéns a Wagner Moura pelo Globo de Ouro. Que a nossa cultura e o nosso teatro voltem a ser valorizados como já foram um dia, para que talentos como o dele tenham espaço, oportunidade e sigam conquistando o mundo”, escreveu.
A mensagem vai além do tom celebratório. Ao defender a retomada da valorização da cultura e do teatro, Neto reforça uma crítica recorrente à condução das políticas culturais na Bahia após quase 20 anos de governos do PT. Para aliados do ex-prefeito, o reconhecimento internacional de artistas baianos contrasta com a falta de incentivo estrutural no estado, especialmente para o teatro, historicamente celeiro de talentos.
O movimento ganha ainda mais peso político quando ACM Neto resgata uma declaração do próprio Wagner Moura, conhecido por posições ideológicas alinhadas à esquerda. Na fala, o ator lamenta a ausência de incentivos públicos à cena cultural baiana nos governos petistas e destaca que sua formação artística ocorreu em um período de forte estímulo ao teatro profissional, nos anos 1990.
Segundo Wagner Moura, aquela fase foi decisiva para sua trajetória e coincidiu com o governo de Antônio Carlos Magalhães, adversário histórico do PT. A comparação expõe uma contradição sensível para o grupo que hoje comanda o estado: mesmo artistas identificados com a esquerda reconhecem um esvaziamento das políticas culturais ao longo das últimas gestões.
Ao trazer essa declaração de volta ao debate público, ACM Neto transforma um fato cultural em instrumento político. A estratégia amplia o alcance da crítica e desloca o embate para um terreno simbólico, no qual identidade, cultura e memória histórica têm forte apelo junto ao eleitorado baiano.
O episódio reforça a leitura de que, na disputa pelo Palácio de Ondina, ACM Neto busca ocupar espaços deixados pelo discurso oficial do governo estadual. Ao associar orgulho cultural, reconhecimento internacional e crítica à falta de incentivos, o ex-prefeito sinaliza que pretende explorar, de forma sistemática, as fragilidades acumuladas por quase duas décadas de gestão petista na Bahia.
Assista:


COMMENTS