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Itália investiga esquema de fraude em cidadania envolvendo brasileiros

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Esquema teria operado por anos em pequena cidade italiana, com participação de ex-agentes públicos e cobrança em euros de brasileiros interessados

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Esquema teria operado por anos em pequena cidade italiana, com participação de ex-agentes públicos e cobrança em euros de brasileiros interessados

As autoridades italianas avançam na investigação de um suposto esquema de fraude conforme o canal SBT, para obtenção de cidadania italiana que envolve dezenas de brasileiros e ex-funcionários públicos de um pequeno município no norte do país. O caso lança suspeitas sobre processos acelerados de naturalização e pode resultar na perda da cidadania de ao menos 84 brasileiros.

A apuração se concentra em Moggio Udinese, cidade com menos de 1.600 habitantes, onde, apesar do número reduzido de moradores, pessoas registradas oficialmente como residentes jamais foram vistas circulando pelo município. Entre 2018 e 2024, mais de 80 brasileiros declararam endereço na cidade, o que levantou alertas nas autoridades locais.

Residência fictícia

De acordo com a investigação, a declaração de residência em Moggio Udinese era usada como atalho para acelerar o reconhecimento da cidadania italiana por descendência. Enquanto o procedimento feito diretamente na Itália pode ser concluído em cerca de seis meses, o mesmo pedido feito via consulados no Brasil pode levar até uma década.

As autoridades constataram que os brasileiros registrados como moradores nunca viveram de fato no município. Parte deles sequer teria viajado à Itália. Outros permaneceram no local por apenas um ou dois dias, tempo insuficiente para caracterizar residência legal.

Empresa privada no esquema

A investigação aponta que uma empresa privada organizava todo o processo de forma irregular, mediante pagamento mínimo de 6 mil euros, valor que ultrapassa os R$ 38 mil. A empresa cuidava desde o registro de residência até a tramitação do pedido de cidadania.

Seis pessoas são investigadas, entre elas quatro ex-funcionários da prefeitura de Moggio Udinese, incluindo o ex-prefeito, além de um brasileiro e uma cidadã albanesa, apontados como responsáveis diretos pela intermediação dos processos.

Assinaturas falsas e imóvel irregular

Segundo a polícia, o imóvel usado para registrar as residências fictícias pertence ao brasileiro suspeito de coordenar o esquema. Durante a análise da documentação, foram identificados indícios de falsificação de assinaturas nos formulários que atestavam a presença dos requerentes no município.

As assinaturas, segundo os investigadores, apresentavam a mesma caligrafia e não correspondiam às assinaturas registradas posteriormente nos passaportes italianos emitidos, o que reforça a suspeita de fraude sistemática.

Cidadanias podem ser anuladas

A promotoria italiana deve decidir nos próximos meses se apresentará denúncia formal à Justiça. Caso o processo avance, os 84 brasileiros citados na investigação poderão perder a cidadania italiana obtida de forma considerada irregular.

A atual administração da prefeitura de Moggio Udinese não é alvo da investigação. Procurado, o município não se manifestou até o momento.





Fonte: Clique aqui

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