O líder oposicionista Juan Guaidó afirmou que a permanência de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela não foi surpresa e fez parte d
O líder oposicionista Juan Guaidó afirmou que a permanência de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela não foi surpresa e fez parte de conversas mantidas pela direita venezuelana com o então governo de Donald Trump. Em entrevista ao SBT News, Guaidó sustentou que o cenário já havia sido debatido e que havia entendimento prévio sobre os caminhos da presidência interina.
Segundo ele, a possibilidade de Delcy ocupar o posto foi tratada abertamente nas interlocuções com Washington. Guaidó afirmou ainda que o próprio Trump teria sinalizado consequências severas caso não houvesse colaboração, incluindo a possibilidade de Delcy seguir o mesmo destino político de Nicolás Maduro ou até enfrentar medidas mais duras.
Ao comentar declarações do presidente norte-americano sobre a falta de apoio a María Corina Machado para governar, Guaidó ampliou o tom e descreveu um ambiente de captura do Estado por estruturas criminosas. Para o oposicionista, há uma trama que envolve cúpulas militares, grupos armados e redes do narcotráfico, com participação direta de Delcy Rodríguez, que, segundo ele, atuariam para pressionar instituições, bloquear a reconstrução do sistema judicial e eleitoral e impedir a chegada de ajuda humanitária.
Guaidó afirmou que a oposição não age com ingenuidade e reconhece a complexidade do momento. Defendeu a mobilização da população e de todos os setores capazes de desmontar o que classificou como um aparato criminoso que sustenta o poder em Caracas. Para ele, o processo de transição passa necessariamente pela desarticulação dessas estruturas e pela reconstrução institucional do país.
O oposicionista também admitiu preocupação com o papel da própria oposição na fase de transição. Segundo Guaidó, evitar ficar à margem desse processo dependerá da organização e da capacidade de pressão dos setores contrários ao regime. Ele foi taxativo ao dizer que não confia em Delcy Rodríguez, a quem apontou como elo central por trás da repressão e das decisões que mantêm o atual sistema de poder na Venezuela.


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